Sobre os novos problemas das universidades

REUNI!

Esta é a nova lógica que está colocada para as universidades federais brasileiras. Os decretos de reestruturação das universidades, batizado de Reuni, é uma nova medida aplicada pelo Governo Federal com o intuito de expansão de vagas no ensino superior federal. Tal projeto também visa uma aumento na taxa de aprovação para 90% (algo praticamente inviável em uma situação universitária normal) e a introdução dos "bacharelados interdisciplinares", na prática cursos que não trabalham com as formações específicas comuns aos dias de hoje, e sim currículos gerais que podem ser afunilados depois de alguns anos de curso (representando uma redução no numero de estudantes que poderão complementar seus cursos, bem como na própria redução da qualidade dos currículos e pesquisas desenvolvidos).

Infelizmente, as aparências positivas que tais medidas possuem, com uma espécie de imediatismo que embasa a euforia da expansão da universidade pública no país, contribuem com a distorção nefasta das políticas aplicadas ao ensino superior que, ao invés de fortalecerem uma educação qualitativa e estruturada com ampliação maciça de vagas, se dedicam exclusivamente a suprir o desejo da expansão com expansão em si, sem a mínima estruturação financeira, material e profissional destas universidades.

O projeto, rejeitado por diversas associações de docentes, de trabalhadores das universidades e de estudantes devido a seu caráter "improvisador" de inclusão, têm sido alvo de diversos atos políticos que ocorrem em várias univesidades federais. No intuito de impedir que as universidades aprovem tal projeto sem o devido, necessário e amplo debate acadêmico - algo que não é fácil de se encontrar hoje nas universidades públicas (imagine nas privadas) - diversas mobilizações estudantis realizaram ocupações em reitorias e espaços de deliberação universitárias. Exemplos são diversos: UFRJ, UFRRJ, UFF, UNIFESP, UFSCAR, UFES, UFS, UFC, UFPA, UFBA, UFRGS, entre outras. Atualmente são cerca de quinze universidades com atos contínuos de repúdio a tais medidas. Mas obviamente isto até parece uma incógnita, só apreciada nos jornais de grande circulação com pequenas notas.

Este texto é mais uma forma de expor os problemas que as universidades têm enfrentado em tempos contemporâneos, e que continuam com forte mobilização em defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos. Defendemos a expansão sim, mas a defendemos de forma verdadeiramente qualitativa, contribuinte com suas necessárias funções sociais e que não se submete aos desejos do capital.



Escrito por Sydnei Melo às 15h00
[] [envie esta mensagem] []



Desafio?

Desafio que recebi da Katy - http://pensamentosehistorias.zip.net/

1) Pegar o livro mais próximo
2) Abri-lo na página 161
3) Procurar a 5ª frase completa
4) Postar a frase no blog
5) Não escolher a melhor frase, nem o melhor livro (usar o mais próximo)
6) Repassar o desafio para cinco outros blogs.
7) O que você está achando desse livro?

Pois bem:

Se, porém, dissessem: "Não vivemos como ensinamos e não possuímos um espírito que traga tais frutos", aceito muito bem o que disseram, pois nisso poderíamos sentir concretamente que não é um bom espírito que fala de dentro deles.

5ª frase completa da página 161 do livro Escritos seletos de Martinho Lutero, Tomás Müntzer e João Calvino, Editora Vozes, 2000.

A bem da verdade, eu nem comecei a ler o livro. Ainda mais, eu peguei o livro para ler os textos do Müntzer, e o trecho refere-se a um texto de Lutero. Mas frase é no mínimo interessante. Parece uma afirmação que tenta se livrar de uma possível hipocrisia. Mas é muito difícil analisá-la sem ler o contexto. E isto é algo que não fiz.

E se é pra escolher outros blogs, lá vai (e acho que vai sair muita coisa boa ou interessante):

http://www.divagar-esempre.blogspot.com/

http://www.fataltino.blogspot.com/ (E nada de chororô)

http://casadepalavras.blogspot.com/

http://www.curyoso.blogger.com.br/

http://www.abakxicomgroselha.blogspot.com/

E meu perdoem a inacriatividade, por que são dias de corre. Mas agradeço principalmente à Katy, que me deu um motivo um tanto diferente para vir atualizar rapidinho o blog...



Escrito por Sydnei Melo às 22h56
[] [envie esta mensagem] []



Insight II

O metrô de São Paulo possui suas linhas divididas em cores. Uma delas é a linha vermelha.

A primeira estação desta linha é a estação Corinthians-Itaquera.

A última estação desta linha é a Palmeiras-Barra Funda.

Por quê esta tinha que ser a linha vermelha?

----------------------------------------------------

Observações de um amigo sãopaulino.

Aventuras em Sampa.



Escrito por Sydnei Melo às 22h15
[] [envie esta mensagem] []



Insight I

A Celeste era uma serpente.

Uma serpente que vivia numa árvore.

A Celeste se chamava... Celeste!!!

Como eu nunca me dei conta disto???

-----------------------------------------

Gênesis 3.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_R%C3%A1-Tim-Bum



Escrito por Sydnei Melo às 23h07
[] [envie esta mensagem] []



Candidato? Agora é Partido!

Agora definiram: o mandato é do Partido! Não do candidato!

Sem querer, acabaram por renunciar a um mito da propaganda eleitoral brasileira.

Todo mundo já cansou de ouvir: "conheça seus candidatos, conheça seu passado, o que fizeram, vote consciente". O que aprendemos foi sempre a nos apegarmos a um voto em uma pessoa. Não importa partido, não importa ideologia, o que importa é o caráter, a moral e a ética daquele candidato. Isso está acima de qualquer projeto.

Nos ultimos dias, o STF determinou que o mandato no Congresso é do Partido, ou seja, o candidato não pode simplesmente trasnferir o mandato o qual ele conquistou por determinado partido para outro, fazendo com que aumente ou reduza a força do partido em número de parlamentares no Congresso e no Senado. A transferência pode acarretar problemas para o próprio candidato.

Com isto, o clarão aberto na perspectiva eleitoral brasileira é de entender-se não apenas a característica do candidato, mas também a caracterísitica e as diretrizes que o partido ao qual ele está ligado tenta realizar.

Devido a tentativa de alguns partidos de não perderem candidatos para setores aos quais se opõem, acabaram mostrando um pouco da farsa eleitoral em que está inserida a política brasileira. Isto contribui para a queda da máscara do personalismo político, mostrando como a política nas instituições se rege por setores muito mais amplos e com interesses muito mais sagazes do que o mero discurso radio-televisivo das propagandas eleitorais.

Estou longe de afirmar que os candidatos que se transferiram são bonzinhos... Muitos desses o fazem por mera especulação e interesse de faturamento, manutenção de coronelismo, etc. Há candidatos que chegam a mudar mais de cinco vezes em uma legislatura.

Mas pelo menos agora creio que pode ficar mais claro para a população a importância que os partidos possuem no processo de escolha dos políticos brasileiros que atuarão durante quatro anos no executivo e no legislativo. E não simplesmente por uma questão de saber "qual partido é mais ético" (sem querer desmerecer este elemento). Mas também, e principalmente, por saber quais os verdadeiros interesses e projetos defendidos pelo partido, se é em defesa de interesses de elite ou de interesses do povo, entendendo o programa maior que respalda cada candidatura, sem cair na maquiagem da "ética e história" que cada candidato tenta apresentar a seu eleitorado.



Escrito por Sydnei Melo às 22h02
[] [envie esta mensagem] []



Ah, crianças...

Cena cotidiana:

   O menino brinca com as canetinhas que havia acabado de ganhar da mãe. Pintava o caderno do Power Ranger vigiado por ela, dentro do Hospital. Esperavam pela consulta no oftalmo.
   A criança andava de um lugar para o outro, empurrava a maca que estava atrás do banco, corria, voltava a rabiscar o power ranger, sempre com a mãe preocupada lhe recomendando o que fosse necessário.
   Certa hora, o menino pegou a garrafa de água da sua mãe e jogou a canetinha amarela ali dentro. Sua mãe já foi falando:
   - Filho, não pode, não pode!
   Foi o pressuposto para um pequeno choro.
   - Agora a canetinha não vai pegar - continuou a mãe. Assim eu não vou mais comprar canetinha pra você.
   Então, o menino balbuciou em um comum dialeto infantil:
   - Eugueroamiaganetinhaaaaaaaa...
   - Mas filho, você jogou na garrafinha, agora não pega mais...
   - Maeeugueroamiaganetinhaaa...
   Logo o choro parou e deu lugar ao carinho da avó. O médico chamou. Vinte minutos depois veio a mãe comentando por que precisaram de três pra segurar o pequeno na hora de pôr o colírio...

------------------------------------------------

Cena rememorada:

   O moço leva a tv para arrumar. Diz que ela está pifada, não pega, sem imagem.
   Alguns dias depois, ele volta pra buscá-la. O dono da oficina pergunta:
   - O senhor trabalha com detetização, né?
   - Sim - achando estranho a pergunta. Por quê?
   Aí o dono da oficina mostrou a pequena dezena de cartões da detetizadora que estavam dentro da tv.
  
   E adivinhe quem foi que colocou...

------------------------------------------------------------

Salve Betão!!!
Salve Timão!!!

Stella, a gente ganhou, HAHA!
  



Escrito por Sydnei Melo às 17h56
[] [envie esta mensagem] []



O couro do avestruz e o couro do trabalhador

Sim, sim... foi isso o que saiu no Jornal Hoje de três de outubro:

Um jeans da marca pode custar até R$ 1.500 – uma pechincha em relação ao preço do de uma caneta (R$ 9 mil) e de uma bolsa que sai pela bagatela de R$ 29.400. “Essa bolsa é 100% couro de avestruz, só tem duas delas no Brasil. Tem uma fila de espera de 30 pessoas”, conta a vendedora (...).

A reportagem dedicou-se a mostrar o crescimento do promissor Mercado de luxo no Brasil, cujos produtos de alto valor são apreciados por clientes refinados, exigentes, ávidos por novidade e que gastam (e possuem prazer por gastar). Um mercado de inovações caríssimas, com pessoas dispostas a dispor da quantidade de dinheiro que for necessário para adquirir tais finos requintes de status e estética.

Quase R$30.000 por uma bolsa de couro de avestruz. Uma loja da Ferrari instalando-se para vender carros com preços médios de um milhão de reais. Um crescimento de 300% de uma dessas lojas no Rio Grande do Sul. Empresários que não precisam mais sair de Cuiabá de avião para fazerem uma boa compra. A criação de MBA para formação de gestores neste mercado específico. Crescimento de 17% dentro da economia brasileira.

Quase R$30.000 por uma bolsa de couro de avestruz!

A louvação do mercado de luxo pelas elites e classes médias da mídia nada mais é do que mais um paradoxo estrutural da sociedade brasileira. Vivemos em um dos países com as maiores concentrações de renda do mundo, onde 1% da população brasileira consome cerca de 15% da riqueza nacional, enquanto que 85 milhões de pessoas, compondo a metade mais pobre da população nacional, consomem 12% desta mesma riqueza. E em um contexto como este, ao invés da construção de política públicas efetivas que melhorem a renda dos trabalhadores brasileiros, fortaleçam seus direitos trabalhistas, sindicais e previdenciários, construídas em diálogos com os movimentos sociais e populares, vemos uma série de intervenções neoliberais a partir dos governos estaduais, bem como do governo federal, em vias de destruirem preciosos direitos e necessidades conquistados com muita pressão e luta popular que foram afirmados na constituição federal de 1988.

Enfim, vemos uma verdadeira política brasileira disposta a arrancar o couro do trabalhador: seus direitos, suas necessidades, sua dignidade está prestes a ser arrancada como tira-se o couro de um avestruz para se fazer uma bolsa.

Além disso, uma reportagem como a transmitida pelo telejornal pode ter sido recebida com muito apreço, espanto e alegria por parte significativa da população. Isto não é uma indicação de defesa do mercado de luxo, e sim uma crítica do falseamento ideológico aplicada pelas instituições formadoras da opinião social, com seu apego novelesco à riqueza paulista ou ao charme e glamour de Copacabana, à educação propagandística da competição e da humilhação do adversário no mercado, e à sina de "você poder" (mesmo que na prática o pobre continue pobre; impedido de conhecer mais por ser pobre; discriminado na rua por ser pobre - e mais ainda se for negro; enfim, mesmo que ele nunca tenha - nem terá - chance alguma de ter uma renda digna para seu sustento e de sua família).

É possivelmente com esta sina de poder que pode se vangloriar a venda de uma bolsa de couro de avestruz a R$30.000. O sonho e o desejo que falseia ou dirimi as contradições entre capital e os explorados, e que se expressa em uma cultura de consumo que não possui nenhuma sustentação lógica que não seja a de proclamar o consumo do irreal (ou do "real" e exclusivo para aquilo que se chama de cliente exigente, ávido por novidade e disposto a gastar - e que tem prazer em gastar) para a própria ilusão daqueles que sofrem na pele e na consciência a macabra intervenção do capitalismo. 

É o couro do avestruz na mão das elites. E o couro do trabalhador também.

Que vergonha! É nessas horas que dá vontade de enfiar a cabeça em um buraco.



Escrito por Sydnei Melo às 23h16
[] [envie esta mensagem] []



Sobre o amor e a morte

Tentativa de reflexão.

------------------------------------------------------------------

Põe-me como selo sobre o teu coração,
como selo sobre o teu braço,
porque
o amor é forte como a morte
e duro como a sepultura, o ciúme;
as suas brasas são brasas de fogo,
são veemente labaredas.
Cântico dos cânticos de Salomão, 8:6

Se é o amor que queremos, que venha a ser indecifrável. Inquebrantável. Indestrutível.

A morte é ambígua. Em nossos sonhos e falas, é o sinal da catástrofe. A memória daquilo que não se quer jamais lembrar, em momento algum, pois se faz pertinente apenas no ápice do caos. A morte é a tragédia da terra, o choro das situações que não esperamos.

Mas para todos os seres viventes, esta é a única coerência. A única certeza compartilhada por todos, tenhamos medo ou não.

Só que a morte não é apenas uma certeza. Ela é o fato consumado, o ato pétreo. Humanamente, a morte é a passagem da carne ao nada. O retorno do pó ao próprio pó.

Assim, parece até que o amor é algo impossível para um mundo sem amores. A mostra dos olhares, o desejo da presença, o calafrio, a boca seca, abraços. O amor como inexplicação dos fatos e dos desejos do par. Como se hoje, fosse dissolvida a realidade que não quer se buscar: de amor indecifrável, inquebrantável, indestrutível; dado o valor ao desejo sem prolongações, o tentar para o nada (e o desejo de que o futuro seja nada).

Porém, a morte não é só caos. A morte é passagem, saída da realidade que nos prende, para onde não levamos nada de nossa existência pó. Se dá como caminho de nossa eternidade. É a certeza que temos para o melhor que há de vir. Se não o fosse, o amor não faria sentido em ser forte como ela.

O amor [que talvez não tenhamos buscado, tido ou simplesmente imaginado] é forte como a morte. Indecifrável, inquebrantável, indestrutível como a morte. Porque amor não se dissolve, não se destrói nem se imagina. O amor se vive, em sua loucura sã e em sua razão plena.

O amor cercado de labaredas. O amor que eu quero. O amor realmente amor.



Escrito por Sydnei Melo às 22h36
[] [envie esta mensagem] []



[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


Histórico
Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
Runaway
Pensamentos da Tá...
Café preto e cigarros
Curyoso
Esta vida que se oculta nela...
Pessoas
Diário de uma vida marginal
SmileZ
Consultoria de Sydnei Ulisses
Desedificante
Imaginativa
Nada mais que pensamentos
Mundo em movimentos
Ciudad del Pico
ABU Campinas
Divagar - e sempre!
De tudo um pouco e um pouco de tudo
Verrina
Complexo de Pagu
Fatal Tino
Casa de Palavras
Abacaxi com groselha
Idade da Pedra
Umbigo do Sonho
Questione o seu mundo!
Nowhere Land