Depois de Aracaju

De Aracaju pra São Paulo, uma diferença de 15º C.

Pousei hoje no aeroporto internacional de Guarulhos, depois de observar levemento um crepúsculo fascinante acima das nuvens, muitas nuvens, que cobriam os montes verdes das terras de São Paulo e Minas Gerais. Isso era por volta das 6:30 da manhã. Era divino. Cheguei às 7:10. 4ºC de temperatura na metrópole paulista.

Lembro-me que quando cheguei em Aracaju, a primeira coisa que fiz quando desci do avião foi... tirar o casaco.

Hoje, a primeira coisa que fiz foi... colocar o casaco.

Eu já estava [mal] acostumado com o calor do inverno sergipano. Sensação térmica de no mínimo 30º graus durante o dia, que devia cair para uns 23ºC à noite. As noites foram bastante agradáveis, e terminadas com torta de macaxeira com carne de sol à beira da orla da Atalaia.

Nestes últimos dias, reunimos bastante a família. Sábado à noite fizemos um belo churrasco na nova casa de minha avó, regado a filé mignon, linguiça, frago e samba/forró tocado tanto pelos sergipanos quanto pelos aspirantes a tal. Usei uma boina que meu tio havia me dado. Encontraram a justificativa pra me chamarem de "Che".

No domingo, foi dia de praia. A água do mar osclava entre o frio e o quente, e ficamos manhã e parte da tarde conversando na areia, comendo pilombeta ( é esse o nome mesmo?), carangueijo, jogando conversa fora, tomando sol, nadando... Toda a família se divertiu bastante.

Agora é hora de voltar à rotina. Já me encontro em Campinas, apto para novas aulas, a continuidade do trabalho no estágio, e novas lutas, muitíssimas novas lutas.

Em Aracaju, o mar avança rápido. Cobre praticamente toda a areia da orla de Atalaia desde às 15 horas. O mar azul e limpo, com um vento que batia agradabílissimo.

Precisamos avançar como o mar...



Escrito por Sydnei Melo às 17h48
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Ensino Superior em Aracaju


Reitoria da UFS

Estive hoje na Universidade Federal de Sergipe.

A universidade existe há cerca de 36 anos, possui cursos de graduação e pós. É uma universidade relativamente pequena, a única pública do estado de Sergipe, com aproximadamente 15.000 alunos. Porém, ela apresenta as deficiências presentes em tantas outras universidades federais de nosso país.

A começar pelo estado de conservação. A universidade, neste quesito, é precária, cede até mesmo uma imagem de dó, uma universidade que mais parece o "primo pobre" das universidades públicas. Praticamente 80% dos prédios estão com paredes descascadas e mofadas, inclusive os prédios da Biblioteca Central, a área de edifícios da "Didática" e até mesmo o prédio da Reitoria (que parece chamar a atenção só por dentro, com um grande quadro colorido na parede). Ao ginásio poliesportivo, também na mesma situação, acrescenta-se as estruturas antiquadas de piso e tabelas. A única área que está melhorada é a da "Didática", que neste momento está passando por reformas. Se essas reformas chegarão logo aos outros prédios, isto é algo a se esperar. O problema de conservação também se encontra nas vias internas da Universidade, na [ruim] manutenção da jardinagem, e na pouca ocupação do espaço territorial da universidade (que alguns afirmam estar em vias de ser expandida para estas terras "não desbravadas"). Além disso, a universidade possui um acervo bibliográfico o qual muitos alunos reclamam de sua escassez.

Essas informações são baseadas em minhas observações sobre a universidade. Não conversei com ninguém da UFS sobre a democracia interna, situação dos cursos e currículos, entre outras polêmicas.

Neste momento, o estudantes encontram-se em greve. Há aproximadamente 43 dias, reivindicando várias pautas, que seguem:

- Contra a transformação do HU em Fundação Estatal de Direito Privado
- Ampliação do RESUN [restaurante universitário] e Construção de RESUN´s nos Campis Itabaiana e Laranjeiras
- Ampliação e rediscussão do papel das bolsas de trabalho e residência
- Ampliação das bolsas de iniciação científica e de iniciação à extensão
- Melhoria da infra-estrutura da UFS:** Esportes
- Recuperação e manutenção de quadras, piscinas e salas de ginástica**Ampliação e renovação dos laboratórios de informática com uso de Software Livre (além do óbvio, tem a questão de economia de recursos).
- Criação de um conselho paritário para discussão permanente sobre Assistência Estudantil
- Melhoria do Acervo e ampliação dos Espaço físico da BICEN [Biblioteca Central]
- Fim do pagamento de Taxas na Universidade
- Fim das Pós-Graduações pagas e restituição dos valores para quem já pagou.
- Aumento da frota e do número de linhas que atende à UFS.
- Conselho Paritário para a discussão das pesquisas na UFS.
- Aceleração da construção do Campus de Laranjeiras.
- Apoio à greve nacional dos Servidores das IFES [Instituições federais de ensino superior] e a todas as greves e lutas de trabalhadores em curso
- 10% do PIB para a educação
- Contra o congelamento de Salários e Concursos públicos previstos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)
- Integração do transporte urbano Grande Aracaju - Laranjeiras
- Garantia de espaço físico para todos os Centros Acadêmicos.


Arte plástica inusitada na UFS



Escrito por Sydnei Melo às 20h37
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Natureza em Aracaju

Como diz o jargão, "Há imagens que falam mais do que mil palavras".



Escrito por Sydnei Melo às 23h23
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Arquitetura política em Aracaju

Arquitetura política? Sim. E vou explicar o termo.

Já é um senso comum a idéia de política que se apregoa sobre o nordeste: Caronelismo, padroado, jagunço, latifúndio, entre outros termos que lemos nos livros de história. E, passadas as décadas, percebemos que isso ainda não se perdeu de forma definitiva.

Aracaju é uma cidade de porte médio, capital do estado sergipano, e que em tempos recentes têm transofrmado fortemente seu contexto urbano. Inclusive no que diz respeito à engenharia civil. Com o crescimento do espectro urbano, nasceram novos bairros, conjuntos residenciais e também estruturas prediais e de vias de trânsito. Alguns destes lugares me chamaram a atenção pelos seus nomes:

- A Assembléia Legislativa, edifício "Governador João Alves Filho";

- O centro de criatividade "Governador João Alves Filho"

- Os conjuntos residenciais "João Alves Filho" e "Fernando Collor" (I, II e III);

- A rodovia José Sarney;

- A ponte "Construtor João Alves".

Para fins de esclarecimento, todos estes nomes, exceto o de batismo da ponte que liga Aracaju à cidade de Barra dos Coqueiros, são de pessoas que neste momento se encontram vivas. Fernando Collor e José Sarney, que já foram presidentes da república brasileira, atualmente são senadores, respectivamente, pelos estados de Alagoas e Amapá. Já João Alves Filho é o ex-governador do estado de Sergipe, que agora é administrado por Marcelo Déda.

João Alves Filho, no ano passado, disputou a eleição tentando realizar seu quarto mandato, ao longo de mandatos alternados com Albano Franco. Era mantida com eles um reinado político no sergipe, baseado em populismo e em política de favores. Um resquício moderno do coronelismo.

O uso destes nomes na arquitetura aracajuense, remetendo em homenagens aos próprios políticos que exercem hoje seus mandatos, mostram que esses resquícios ainda são extremamente presentes e fortes, bem como aceitos (não sei se passivamente) pela população. E mais: com a colocação batismal destes nomes, afirma-se o caráter ordinário da política de imagem dos antigos e tradicionais nomes da política nordestina. Uma tentativa cretina de remeter obras públicas para fins eleitorais. Como a ponte "Contrutor João Alves", terminado algumas semanas antes do início das eleições de 2006, e que serviu de filão de campanha para o antigo PFL do então governador João Alves Filho, porém sem resultados.

Não sei dizer se há uma "idolatria" do político João Alves na população sergipana, bem como ocorre com o malufismo paulista. Mas a rotina eleitoral destes anos foi quebrada em 2006. Assim como na Bahia, houve uma quebra da hegemonia política do PFL-PSDB no Estado, com a eleição de Marcelo Déda, petista, ex-prefeito de Aracaju, para o governo do Estado.

E por mais que eu também tenha hoje desavenças com o petismo, sou minimamente sensato pra saber que não haveria nenhuma construção batizada com o nome de "Marcelo Déda". Pelo menos eu espero.



Escrito por Sydnei Melo às 21h55
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Cultura em Aracaju II

Pude perceber mais alguns traços culturais andando hoje pela cidade. Uma delas é relacionada a fé. A Catedral de Aracaju, situada no centro da cidade, não é uma imensa catedral, porém chama a atenção. Possui desenhos e pinturas bastante bonitas, que remontam à pintura clássica já comum na arte sacra do século XVII - XIV. É uma Igreja pequena, mas muito atraente.

Pela cidade há outras casas de artesanato e prédios tombados, antigos palacetes que hospedavam o governo, a prefeitura e a câmara municipal. Alguns foram restaurados e continuam em uso, enquanto que outros estão tombados ou ainda não sofreram processo de restauração. Outro ponto que se encontra na mesma situação, em processo de restauro, é a ponte do imperador, que na verdade não é uma ponte, e sim um pequeno "porto" (digo assim pois não sei como se define o local), que adentra o rio Sergipe alguns metros. Por cima do rio vemos de um lado o mangue e o delta do rio, que cai direto no oceano atlântico; do outro, a ponte João Alves Filho, construída antes das eleições de 2006 (ponte muito bonita, porém uma espécie de cartada política do ex-governador, por sinal, João Alves Filho).

Infelizmente, a minha máquina perdeu a bateria no meio do passeio. Por tanto, não tive como fotografar mais coisas. Mas sem problemas. Chegando ao próximo destino, o Memorial do Sergipe, descobrimos que não poderíamos entrar pois ela fechava às 17:30, justamente o horário que havíamos chegado. Pelo menos ficou pra semana que vêm, e desta vez espero estar com a máquina bem carregada.

Valeu pela andança, pelo calçadão, pelo belo artesanato, pela tapioca de brigadeiro com côco e pelo final de dia com a família.



Escrito por Sydnei Melo às 00h18
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Cultura em Aracaju I

Algumas coisas que percebi no espectro cultural.

Não sei se isto ocorre em todo o nordeste, em alguns lugares ou apenas aqui. Mas é perceptível a valorização de determinadas figuras que são bastante presentes no imaginário que temos sobre o bloco nordestino.

Lampião e Maria, por exemplo. Nas casas de artesanato e nas festas e "forrós" que se encontram na cidade, seja no centro, na orla ou em regiões mais distantes, a figura dos dois célebres personagens históricos do sertão são sempre relembradas nas estanças do povo daqui. Ainda mais em se tratando de um período pós festejos juninos. As informações que tenho é de que há uma explosão de festas que pululam por toda Aracaju no período de junho, o chamado "Forrócaju".

 

Além disso, o artesananto também nos relembra outras figuras como retirantes, mulheres do sertão, crioulas, etc. Madeiras esculpidas, argila, tinta e bordados que remetem a um diversidade de existências e cores, de forma bastante bela e emocionante. E também fazendo juz a um dos principais estlos musicais, o forró, que na figura das cores e do cangaço moldados, anima e estimula a todos os que se deparam com esta arte.

Outro elemento bastante lembrado e valorizado é a literatura de cordel. No mercado turístico e na orla de Aracaju, você encontra as barracas e varais com as revistinhas penduradas, cheias de versos simples, rimas e informações instrutivas e engraçadas. O cordel é antigo, vindo de origens lusas, e se fortaleceu no seio popular do nordeste, sendo bastante apreciado até hoje.

Havendo mais informações sobre este assunto, colocarei posteriormente. Afinal, eu fico aqui até o dia 30 de julho.

 



Escrito por Sydnei Melo às 17h46
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O blog está voltando...

Na verdade, estive cerrado por uma leva de preguiça e/ou falta de vontade. Mas desta vez resolvi voltar, afinal percebi que sinto, mas sinto muita falta de escrever, de falar sobre as coisas, essas que vocês já estão acostumados a ler, e mais, isto me é colocado como uma necessidade.

Por conta, estou aqui afirmando o retorno do blog. E neste momento encontro-me fora de casa. Mais precisamente: Aracaju, Sergipe. Nos próximos dias, quero deixar expressas aqui algumas impressões e opiniões sobre a cultura, o ambiente, a política (essa não podia faltar), entre outras coisas que tenho julgado interessantes e passíveis de avaliação.

Deixo a saudade e o meu abraço!  



Escrito por Sydnei Melo às 22h49
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