Sobre as decisões
Você luta por algo. Por que?
Quando nos deparamos com situações que exigem de nós uma reflexão e uma prática, precisamos ter discernimento de que esta mesma prática se constituirá baseada em ideologias, formas de ver o mundo, necessidades embasadas em nossa educação (não a escolar, mas a da nossa vivência mais intíma, onde aprendemos uma determinada visão que implicará nossa primeira caminhada pelo mundo). Quando vemos pessoas se manifestarem por uma causa social, ou irem contra ela, é por que existe implicada uma forma de ver, que contribui para a constituição de uma estruturação social, simbólica, que determina uma igualdade absoluta ou uma remessa de privilégios.
Não vivemos por determinismo. Malinovski cometeu um grave erro ao achar que os nativos descobriam quais plantas eram curáveis por que eles estavam com uma dor de barriga que os levou a isso. A ciência e o conhecimento se desenvolvem em uma experiência contínua, que descobre coisas e as transforma, e não agindo por mero instinto.
Da mesma forma, quando alguém se propõe a lutar por uma determinada causa, não necessariamente significa que ela está sofrendo algo que o leve a fazer isto. Buda não suportou ver pessoas doentes jogadas às trilhas fora de seu castelo. Ghandi não permitiu que os Império Inglês oprimisse o povo indiano com o qual vivia. Guevara se dispôs a lutar pelo socialismo em Cuba e outros países, até ser morto pelos militares bolivianos.
Se quisessem, Buda poderia continuar firme em sua nobreza encastelada, luxuosa e confortável; Ghandi poderia ser um grande jurista em busca de seus próprios bens; e Guevara, um médico famoso e rico nas ruas argentinas.
Mas a realidade se põe de forma brutal, e assim como fizeram estes célebres personagens, cabe a cada um decidir se suas atitudes serão visando sua própria estabilidade, ou a dignidade do mundo e para todos.
Escrito por Sydnei Melo às 15h53
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Amigos,
O vídeo apresenta os problemas que estes decretos representam para a Universidade pública no estado, chamando todos para que contribuam com a luta contra o sucateamento da educação e por um ensino superior socialmente inclusivo, qualitativo, gratuito e que viabilize sua produção de conhecimento para as necessidades de nosso povo.
É um vídeo curto, produzido pela comissão de mobilização contra os decretos da Unesp - Franca.
Neste mesmo blog já foi colocado o artigo "Serra e o fim da autonomia universitária", da autoria de Alcir Pécora e Francisco Foot Harman, ambos professores da Unicamp.
Escrito por Sydnei Melo às 16h26
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Internet e vida concreta
Uma tentativa de reflexão...
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Imaginar que a vida pode se constituir fora da realidade concreta lhe parece algo impossível?
Quando surgiu a frebre do Second Life, programa de computador onde o usuário constitui um personagem e produz relações com outros personagens que possuem usuários de computador por trás, uma nova tendência da tecnologia estava aparecendo para as relações humanas. Se o Orkut já era uma revolução na web, buscando novas formas de relacionamento entre as pessoas, espaços de discussão e de conhecimento de pessoas, transformando-se em um dos mais abrangentes mecanismos de comunicação já inventados, a nova era virtual surge com um programa onde você se move, dança, gasta e se estabelece contato dos mais diversos através de um mundo absolutamente desenhado e inventado.
Como qualquer coisa que se massifica, hoje o Second Life já tornou-se objeto instrumental para os mais variados interesses, como vendas de carros, palestras de empresas, corridas, bailes e até "prostituição" virtual. Criam-se os personagens mais ilustres e inusitados, promovendo uma vivência virtual que pode alcançar dimensões nunca vistas.
Afinal, qual o problema? A princípio, nenhum. O que tento minimamente dispor a uma reflexão é a constituição de uma projeção que cada indivíduo realiza. Assim como os chamados "fakes", a criação de estereótipos e novas figuras nos programas virtuais como o Second Life constitui relações diferentes das presente no mundo real. Criamos o inusitado, uma imagem, que talvez seja absolutamente diferente do que realmente somos (ou conseguimos ser) em nossa vivência concreta. Até mesmo quando configuramos para que seja o mais próximo do que somos aparentemente no real pode se tornar absolutamente distinto do que passamos como nossa constituição para os que nos observam apenas como personagens virtuais.
O fenômeno se frutifica da constituição cada vez mais veloz das idéias sobre a realidade colocadas todos os dias para nós nos sites, blogs, emails e mensagens instantâneas. Transformamos nossas imagens, nossa história, nossos documentos, em arquivos, anexos, bytes e extensões, que se configuram na nova comunicação que, evolutivamente, de mero instrumento passa a ser instrumentalizador da nossa própria vida, apropriador de mais-valia, entretenimento de todo dia. E com a nova perspectiva virtual abordada pelo Second Life, vemos surgir uma nova forma de relação com a internet e o mundo virtual: novas trilhas, novas perspectivas e forma de informações a serem acessadas e modificadas que escapam do já senso comum www.
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http://secondlife.com/
Escrito por Sydnei Melo às 16h58
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Guerras e Guerras
Realmente, o assassinato de mais de 30 pessoas numa universidade americana foi terrível. Mas o que dizer das quase 20 mortes de ontem na guerra diária do Rio?
O UOL de ontem alternava manchetes e imagens sobre as duas tragédias. Ora a foto do jovem de origem asiática que não poupou os colegas nem três professores numa universidade de tecnologia na Virgínia, vizinha de Washington e bem perto de Nova York. Ora um grupo de cidadãos jogados no chão, tentando se esconder de um dos tiroteios no Rio.
A diferença entre a chacina da Virgínia e a do Rio é que a primeira foi causada por um autor solitário, num surto qualquer, enquanto a segunda é resultado de trocas rotineiras de tiros entre quadrilhas e entre quadrilhas e a polícia - com a população no meio, sujeita a balas perdidas.
Uma é resultado de uma cultura com forte componente racial e em que, vira e mexe, um jovem enlouquece, compra armas poderosas e caras ali na esquina, com a maior facilidade do mundo, e sai matando quem passa pela frente, como foi na escola Columbine há tão pouco tempo.
A outra é resultado de um choque social crônico e agora agudo, criado e alimentado pela falta de Estado. No Rio, em São Paulo, em Recife, em Salvador, em Cuiabá, em Manaus, em Brasília, mata-se e morre-se nem se sabe mais pelo quê. Antes, exemplificava-se: "por um tênis", ou "por um relógio". Agora, nem isso. Simplesmente mata-se e morre-se, ponto.
Perguntem à cidadã Edna Ezequiel, 33, por que ela perdeu a filha Alana com uma bala perdida e, pouco mais de um mês depois, perdeu também o irmão de 25 anos, massacrado na volta da maternidade, onde visitava o filho (mais um!) recém-nascido. Provavelmente, ela não saberá responder. Só sabe sentir.
Impotentes e perplexos, governos discutem se, como, quando e exatamente onde o Exército vai entrar na guerra. Enquanto os cidadãos fazem pior: discutem se devemos ou não, como sociedade, reduzir a idade penal para jogar os excluídos mais cedo nas penitenciárias e nas garras das feras.
Não são debates de quem realmente sabe como acabar com a guerra. Ao contrário, são justamente de quem não tem a menor idéia de como fazê-lo.
Por trás do jovem oriental que atirou contra meninos e meninas nos EUA e por trás das guerras de meninos e meninas que se matam e matam inocentes no Rio, há de tudo um pouco: a loucura individual, a loucura coletiva, o desprezo pela vida e uma falta de compreensão geral sobre as causas e sobre como curá-las.
Lá, nos EUA, os governos invadem e matam nos países alheios e convivem internamente com surtos individuais que resultam em até dezenas de mortes, como anteontem. Aqui, no Brasil, os governos estão perdidos; as polícias, corrompidas; as pessoas, entregues à própria sorte, e a violência é uma rotina diária e disseminada do Norte ao Sul. Pior: sem perspectiva de solução.
As mais de 30 mortes de anteontem na Virgínia logo virarão um filme de grande sucesso. As 19 (contabilidade até as 20h) de ontem no Rio são uma espécie de rotina nos telejornais, na internet, nos rádios e nos jornais do dia seguinte. Uma novela sem fim. Talvez nem gerem mais tanta comoção...
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult681u254.shtml
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Não que eu goste da Eliane Castanhêde, mas achei interessante a análise.
Escrito por Sydnei Melo às 16h25
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O Papa e os mendigos

A visita do Papa ao Brasil prevista para ocorrer em maio está sendo preparada da melhor forma. Apesar de posições extremamente conservadoras e das quais eu discordo, não vejo nenhum problema para a comunidade católica do país em receber uma figura importante como Bento XVI.
Mas me surpreendi com uma notícia que a Folha veículou pela internet, e que me fez matutar um pouco, porém sem tirar ainda conclusões. Diz o seguinte no site:
"Quando o papa Bento 16 chegar à catedral da Sé, no dia 11 de maio, para um encontro com bispos brasileiros, a praça estará vazia, sem os mendigos ou os meninos que moram nas imediações da igreja" http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u91202.shtml
Acontece que toda a praça será fechada e nenhum acesso será permitido a ela por conta do esquema de segurança preparado para a recepção do Papa no Brasil. Estranhamento, pois com certeza haverão muitos fiéis apostos a saldarem o Papa na Praça da Sé, onde ficam umas das maiores catedrais de São Paulo, inclusive os próprios moradores de rua que esperam pacientemente (ou em vão?) a oportunidade de morarem em baixo de um teto próprio.
É verdade que Joseph Ratzinger se tornou bastante polêmico, vide um conservadorismo incômodo apresentado através de suas posições em discursos e outros documentos apresentados oficialmente pelo Vaticano. Possivelmente podem também haver grupos que queiram manifestar seu protesto acerca dessas posições, e com certerza algum barulho se fará ouvir.
A segurança está sendo preparada de forma rigorosa. Não da forma como foi prepara para George Bush (os agentes da CIA não são bobos de deixá-lo a deriva com tanta má imagem), mas será uma segurança prevendo qualquer problema maior.
Enquanto isso, para onde vãos os mendigos e moradores da praça? Será que forma para abrigos ou foram simplesmente afastados do local? Estão acomodados? Estão recebendo algum auxílio? Será que o fato de os terem retirado gerou alguma preocupação sobre como gerar algum conforto, teto e comida para eles?
Espero que o espírito cristão dos brasileiros não se vire apenas à proteção do "santo padre". Afinal, está faltando muito do espírito cristão para fortalecer e dignificar os oprimidos de nossa terra.
Escrito por Sydnei Melo às 16h37
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A tal da Pena de Morte
O Instituto Datafolha tem divulgado recentemente pesquisas acerca de temas polêmicos como eutanásia, aborto e a pena de morte. A última, divulgada dia 9, segundo consta no site:
"No momento em que a violência assumiu o primeiro lugar como principal problema do país na opinião dos brasileiros, aumentou o apoio à instituição da pena de morte, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha em todo o país. Se houvesse uma consulta à população, 55% votariam a favor da adoção da pena capital, taxa quatro pontos percentuais superior à verificada em agosto de 2006 (51%). A taxa dos que votariam contra a adoção dessa medida oscilou de 42% para 40%. Os indiferentes à questão somam 2%, mesmo percentual registrado no levantamento anterior, e a taxa dos que não souberam opinar oscilou de 5% para 3%". http://datafolha.folha.uol.com.br/po/ver_po.php?session=411
Isso requer uma análise cuidadosa da situação que o país apresenta e a forma como se deve enfrentar a grave realidade da segurança pública brasileira. Em muitos momentos as opiniões favoraveis a pena de morte se evidenciam, devido a ocorrências imediatas, como no ano passado com a onda de violência perpetrada pelo PCC. Porém, em um contexto bastante delicado, com o assassinato do menino João Hélio e o estupro de uma menina de pouco mais de 1 ano de idade em uma Igreja Adventista, a pressão da opinião pública sobre as insituições brasileiras está gerando processos de institucionalização destas medidas radicais no Congresso e no Senado, com a séria possibilidade de modificação das leis para este fim.
Julgo que o momento deva ser de preocupação, e não de conquista. Mais do que nunca é necessário realizar um sério debate acerca da necessidade absoluta do desenvolvimento da educação e da discussão acerca dos direitos humanos no país. A influência midiática, que apresenta seu lado mais reacionário em momentos frágeis como este, e a força das grandes organizações conservadoras acertam em cheio a comoção emocional atestada em nível social e nacional sobre a tragédia da criminalidade no país.
Defender a pena de morte e a redução da maioridade penal (outro tema que se encontra em evidência e com adesão maior do que o normal) representa um retrocesso na luta pelo pleno direito de cidadania e intensifica o conflito e a opressão da justiça e do poder sobre as classes mais pobres e simbólicamente criminalizadas pelo senso comum midiático, oligárquico e patronal. É hora de atenção, cuidado e reflexão. Não podemos entregar de mão beijada (ou seria cuspida?) a dignidade da vida e o direito à ressocialização do homem. Intensificar as leis sem pensar minimamente a estrutura social que rege a vida da população e as bases do caos social só ajudará a promover o aumento da desigualdade de justiça, social e econômica, fragilizando ainda mais a já incipiente democracia.
Escrito por Sydnei Melo às 16h18
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Passou um fim de semana especial. Páscoa. Lembranças da ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo. Não fosse por este fato e talvez nunca as pessoas tivessem a oportunidade de conhecer tão belas palavras e tão belos designios de um Deus tão grandioso e que nos protege e fala todos os dias. Louvado seja!!!!
Apesar de ser páscoa, não foi tempo de chocolates. Visto que fiquei no feriado em Campinas, por conta do ERECS (Encontro Regional dos Estudantes de Ciências Sociais), ocorrido aqui mesmo na Unicamp, mais os trabalhos na disciplina de história, que fiz nas madruagadas, não me propus a ir para a correria dos mercados e lojas do comércio para buscar os ovinhos. Além do mais, é melhor que eu o faça essa semana. Vai tá tudo mais barato.
O fato de a família inteira estar longe agora tb não me animou muito para "comemorar a páscoa". Preferi dormir. Mas nem por isso deixei de ir à Igreja a noite.
O Encontro? Bem... Enviesado, é verdade. Senti falta de um diversidade maior, pois as mesmas opiniões e as mesmas disputas que parecem só existir na Unicamp continuaram presentes na mesa. Como se o movimento estudantil fosse somente composto por PSOL, PSTU e LER-QI, não senti muita diferença ao observar as mesas do que já estou acostumado a ver a mais de dois anos aqui na facu. Mas de qualquer forma, não foi ruim. Conhecer gente nova, e começar a propor novos elementos para o debate do movimento estudantil é algo interessante. E creio que isso houve (pelo menos com as pessoas que conversei).
Também haviam dois amigos que participaram ao mesmo tempo de outro encontro, da economia, e pudemos conversar bastante sobre alguns temas como política e os cristãos.
Agora é saber que rumos os movimento dos estudantes de ciências sociais vai tomar em busca do projeto de universalização da universidade (e isto não é um mero trocadilho).
Escrito por Sydnei Melo às 15h00
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Sabe quando as coisas travam?...
Pois é... O meu blog ficou inativo durante umas duas semanas. Era frustrante tentar entrar neste blog com o acesso que possuo a já cerca de 3 anos e não conseguir nenhum resultado.
Eu estava sendo simplesmente travado, não conseguia entrar de forma alguma no domínio e, por conta, fiquei sem muitas formas de conseguir realizar os meus comentários públicos por aqui.
Não estranhem não. Aliás, não vou nem pedir desculpas. Quem tem que fazer isso é o pessoal do UOL. Só depois de uma mera curiosidade hoje que eu descobri que as coisas tinham voltado ao normal e eu poderia novamente escrever aqui.
O fato é que será difícil eu voltar essa semana por conta do ERECS (Encontro Regional dos Estudantes de Ciências Sociais) que vai acontecer aqui na Unicamp. Eu só tô com acesso a net na facu, e como é feriado, apesar do evento ser aqui eu não terei acesso direto a computadores na rede.
Mas fica o toque de que muita coisa rolou nas ultimas duas semanas e que falarei um pouco sobre elas nos próximos dias, ok?
ERECS, Páscoa e trabalhinho de cronistas, me aguardem!!!!!
Escrito por Sydnei Melo às 16h25
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