Pela democracia

Estava lendo uma entrevista de uma promotora especialista em Direitos Humanos. Recentemente, um militar foi indiciado para responder pelos crimes de tortura cometidos no regime militar (1964 - 1985). Isso gerou também reação dos grupos miltares, que ameaçam entrar com indiciamentos também contra militantes que realizaram feitos criminosos contra o regime.
A situação é polêmica. Segundo o artigo que precede a entrevista, a Lei de Anistia (que beneficiou os acusados e presos políticos do regime) falha ao trazer a paz sem possibilitar a justiça. A lei de Anistia não foi mais a fundo ao apenas permitir que os presos e procurados ficassem livre das perseguições militares. Faltou as determinações que viriam a realizar as punições aos torturadores que perpretaram o terror em nome do regime.
O fato do próprio militar se propor a também levantar acusação contra opositores que realizaram atos criminosos contra o regime também levanta uma falha desta lei de anistia, que é a não determinação de quem é vítima e quem é criminoso. Em uma realidade que até hoje guarda em segredo vários documentos e notícias do período do regime, algo assim nos mostra uma falha imensa que não foi possível recuperar na história. O Brasil não reescreveu sua história. Os militares que cometeram seus atos atrozes até hoje estão soltos e vivem tranquilamente no país. Muitos oposicionistas morreram, nem sobraram para contar história. Os que sobreviveram hoje se consolidam na política (para bem ou para mal), o que delibera uma nova perspectiva política desde o início da década de 90.
Os militares ainda são um poder forte no país. Ainda postam-se em sua superioridade ao defenderem um regime que "fez o país passar pelo milagre econômico e que acabou com o comunismo". Uma história criminosa ainda prevalece sobre os políticos democratas que se amedrontam ao invés de enfrentar a história do país e revelar os documentos e segredos militares que até hoje permanecem ocultos.
Para alavancar a democracia, a nação precisa desmascarar sua própria história, e punir seus algozes. Pelo verdadeiro sentidos dos direitos humanos.
Escrito por Sydnei Melo às 16h59
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Fazendo chororô...
Tão dizendo que eu fiz a Igreja chorar.
E eu to aqui, abismado.
Me ligaram pedindo para fazer alguma coisa pros meus pais em homenagem a eles. Meus pais estão se mudando, e a Igreja gostaria de agraciá-los com essa homenagem. Eu estaria lá também, se devido a um "furo" do mané que ia me dar carona eu não tivesse ficado na mão. Não pude ir pra Ribeirão no fim de semana.
De qualquer forma, enviei uma carta por email para um dos amigos da Igreja, para ser lida no culto.
Hoje eu já li uns dois scraps no orkut dizendo "mano, vc conseguiu fz a igj inteira chora!!"
O.o
Espero que alguém também tenha se convertido =D
______________________
Pos-Post: A pedidos, a carta. Ela é extensa, ok?
Sobre a vida de pessoas felizes e abençoadas que deixarão saudades e ensinamentos fantásticos
É com muita gratidão que me incubo desta tarefa que, pelo menos para mim, não é algo trabalhoso, nem cansativo. É algo esplêndido, fruto de carinho, amor e benção com as quais eu cresci e aprendi a enfrentar o mundo. Graças a Deus por vidas tão belas e por ensinamentos tão raros, que ajudaram na construção de sonhos, na conquista de maravilhosos prodígios e no fortalecimento da minha fé.
Deus quis que os frutos da saga nordestina fossem ajuntados. Família de origem sergipana, o paulista Sydnei, nascido em 1º de fevereiro de 1965, é filho do Seu Nivaldo e da Dona Dodô, e também possui outros três irmãos, a Cida, o Junior e o Rodrigo. Rapaz franzino e bixo-grilo que muito circulava pelas ruas da capital, batalhador e em busca de uma vida melhor, trabalhando desde manhazinha, jantando seu cachorro-quente antes de entrar na aula à noite, e que aprendeu que a justiça social deve ser um objetivo constante na vida de um cidadão brasileiro, militando politicamente desde a juventude. Foi tornar-se bancário por volta dos 20 anos, e lá conheceu uma princesinha chamada Joselita (ou simplesmente Jô).
A Jô é alagoana, de Junqueiro, nascida em 29 de abril de 1965, e filha do Seu Elmírio e da Dona Maria, além de ter Jorge como irmão. Vinda novinha para São Paulo, era menina estudiosa e adorava jogar vôlei e dançar, além de ser muito prendada (e os filhos dela sentiriam essa influência na pele uns anos depois). Também começou cedo a correr atrás das oportunidades na vida, e foi cair nas graças do Sydnei quando também trabalhava no antigo Bamerindus.
De umas trocas de bilhetes, de umas piscadelas e outras cantadas, surgiria um namoro abençoado que não muito tempo depois seria selado frente a Deus no altar da Igreja. Casaram-se no dia 7 de setembro (e pra mim, o feriado deveria ser justamente por causa disso). Ele, com um terno nada discreto e uma gravata borboleta vermelha. Ela, com um dos vestidos mais lindos e originais que já vi desde que me conheço por gente.
O jovem casal foi se deparar com o primeiro bebezinho que Deus enviava lá pros idos de 1986. O Juninho veio nascer precisamente em 5 de junho de 1987. Não haviam dois anos e mais um chegava em casa, o Vitinho, nascido em 7 de março de 1989.
Seria a vontade de Deus, plena e justa, que levaria esta família e outros familiares paternos a se mudarem para Ribeirão Preto, cidade média e promissora no interior de São Paulo, na passagem da década. A Jô cuidava dos filhos enquanto o Sydnei continuava seu trabalho na Bayer em São Paulo. Logo depois, viria definitivamente para a cidade. É em Ribeirão que se desenvolveria essa nova família, buscando trabalhos e alternativas de qualidade para uma vida melhor para eles e para seus pequenos filhos.
O Sydnei, inteirado sempre das discussões políticas, participativo na comunidade, começaria ali sua vida política mais intensa. Trabalhou como acessor da prefeitura, coordenador de departamento no DAERP e, futuramente, teria sua experiência mais brilhante no PROCON, onde foi reconhecido nacionalmente por seus projetos inovadores na área do consumidor. Além disso, atuou como jornalista, no informe mensal “Em Ação”, radialista da Rádio Comunitária Stilo FM no Pq. Das Andorinhas com um informativo e um dos criadores do grupo Renovação, que organizaria a comunidade em torno das questões políticas, sociais e culturais na região Noroeste (Jd. Procópio, José Sampaio, Alexandre Balbo, Pq. Das Andorinhas, entre outros bairros).
A Jô, também não distante do destino político que cerca essa família, trabalhou com administração e marketing. Criou a “Saborosa Marmitex”, cuidou de um bazar que estava em sua própria casa no Jd. Procópio, foi assessora parlamentar e chefe de departamento também do DAERP. Além disso, formou-se em Gerência Administrativa e marketing, a vocação que havia descoberto durante esses anos. Sempre estava junto ao marido nos dias de militância, me ensinando valores sublimes como honestidade, ética, justiça e solidariedade ao próximo.
A vida nunca foi fácil para este casal. Passaram por dificuldades, mas sempre com esperança e fé em um Deus que tem misericórdia de seus filhos. E muitos obstáculos foram vencidos, tomados como lição para suas vidas e passados a seus filhos, por mais revoltadinhos que estivessem (natural de qualquer criança... e de adolescentes também...).
Agora, nesta nova etapa que começa a se encaminhar, este lindo casal se prepara para uma viagem, e uma nova vida: vão para viver e transformar Aracaju, no Sergipe, no Nordeste. Os frutos do nordeste, exóticos e maduros, abençoados, agora seguem a trilha do retorno, na busca de novas plantações, novos trigos e novas videiras. Vão ao nordeste para novos desafios, que a princípio pareciam ainda um pouco distantes. Ficam sementes a plantarem novos frutos de paz, amor e justiça nesta terra, com os ensinamentos, às vezes duros, às vezes carinhosos, sempre importantes para que uma nova geração abençoada fosse criada.
O presbítero Sydnei (agora um pouco mais rechonchudo e com vestimentas bem mais sérias do que o antigo costume) e a diaconisa Jô (linda, sempre e sempre) deixam saudades para a amada Igreja, para os quais viveram bons anos. Deixam lembranças de fé e de ensinamentos surpreendentes, de muitas piadas e risadas gostosas, de idéias, e de amizades que perdurarão pela eternidade. E este que vos escreve, por mais que já tenha e terá uma saudade imensa, é grato por tantas coisas boas, por tantas palavras importantes, por tantos gestos de carinhos, beijos, abraços, sorrisos, broncas, comemorações e aprendizados.
Um dia, o Sydnei, em um momento um tanto ocasional, disse: “Filho, eu sou um homem feliz”. Eu digo mais: O Sydnei e a Jô são um homem e uma mulher felizes. Eu sempre soube disso.
Sydnei Ulisses de Melo Junior.
Escrito por Sydnei Melo às 17h00
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Serra e o fim da autonomia universitária
Que as férias não impeçam um debate sobre a natureza e o efeito desses decretos de Serra que intervêm na autonomia universitária
AS PRIMEIRAS medidas do governador José Serra relativas às universidades estaduais paulistas são motivo da mais ampla perplexidade.
Por meio de dois decretos (nº 51.460 e nº 51.461, de 1º de janeiro), o novo titular do Bandeirantes criou a Secretaria de Ensino Superior e transferiu para sua alçada, como "estrutura básica da pasta", o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais do Estado de São Paulo), que antes integrava o gabinete do governador. Mais: USP, Unicamp e Unesp passam a ser vinculadas à nova secretaria (até então, parte da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, o que se justificava plenamente por seu caráter básico de universidade de pesquisa).
Não se trata de questão de nomenclatura: transferem-se igualmente para a Secretaria de Ensino Superior "os bens móveis e os equipamentos, os cargos e as funções-atividades, os direitos e as obrigações e o acervo relativos às atividades da administração direta voltadas ao ensino superior, em todos os seus níveis". O que poderia parecer, à primeira vista, um gesto de atenção para com o ensino superior revela-se, em exame mais atento, uma operação de controle centralizado, pelo aparelho estatal do governo, das estruturas, funções, recursos materiais e humanos das universidades. E, ao se examinar a nova composição do Cruesp, percebe-se o segredo de polichinelo desses decretos de estréia do governo Serra: intervir diretamente na autonomia das universidades, com o esvaziamento do poder de coordenação e decisão dos reitores e sua subalternidade ao secretário de Ensino Superior, que passa a ser o presidente permanente do conselho de reitores -um super-reitor? -, com voto de minerva, em proporcionalidade que agora favorece sempre o governo, já que, além dele, têm assento os secretários de Desenvolvimento e de Educação.
Instituído durante o governo Quércia, em 1986, o Cruesp representou um avanço no árduo processo de conquista da autonomia universitária. Dele faziam parte os secretários de Ciência e Tecnologia e de Educação, mas a maioria ficava reservada, como seria próprio no caso de respeito ao princípio da autonomia, aos três reitores, que se revezavam, de modo equânime, na presidência do órgão em mandatos anuais. Sabemos que, sem autonomia da gestão financeira, aquele princípio, fundamental na moderna administração de instituições voltadas para ser a vanguarda da inovação científica, tecnológica e cultural no país, torna-se palavra vã. O balanço dessas duas décadas, apesar dos percalços, é muito favorável à experiência de autonomia universitária acumulada na USP, Unicamp e Unesp -disso há vários índices e exemplos conhecidos.
O reconhecimento da comunidade acadêmica nacional e internacional, da opinião pública e da sociedade brasileira indicam que o modelo de gestão das universidades paulistas deve ser referência para outros institutos, centros de pesquisa, faculdades e universidades.
Isso posto, cabe indagar: como ficará o repasse da cota de ICMS que a Assembléia Legislativa nos garante desde 1989, espinha dorsal de nossos orçamentos? Como ficarão a política salarial e as complexas questões de carreiras docentes, de pesquisadores e de servidores técnicos? Como ficará a política de expansão das vagas na graduação e na pós-graduação, bem como a criação de novas carreiras e campi? E a questão da Previdência nas universidades? E a renovação e a conservação de nossas complexas redes de infra-estrutura de pesquisa? Com a palavra, o senhor governador e o senhor secretário.
Mas, antes que o silêncio e a desmobilização nos tragam novas más surpresas, com a palavra, os senhores reitores, os conselhos universitários, as congregações, os diretores e os coordenadores, as associações docentes, as entidades de funcionários e os estudantes.
Que as férias não impeçam a abertura imediata de um debate necessário e conseqüente sobre a natureza e o efeito dos decretos citados, que implicam mudanças profundas de gestão e atingem em cheio a autonomia universitária e não podem, portanto, ser simples e autocraticamente decretados. A tradição das universidades estaduais paulistas está a reclamar a devida resposta, prudente e lúcida, mas com a firmeza que a gravidade do assunto requer.
ALCIR PÉCORA, 52, crítico literário, é diretor do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp. FRANCISCO FOOT HARDMAN, 54, é professor titular de teoria e história literária e coordenador de Pesquisa do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Foi editorialista da Folha.
O decreto encontra-se no link: http://www.adunicamp.org.br/Microsoft%20Word%20-%20Decreto%2051.461%20%20Secretaria%20Ensino%20Superior.pdf
Escrito por Sydnei Melo às 21h02
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Sábado, enquanto eu preparava o meu almoço básico de universitário em fim de semana, um rapaz que trabalha nas Casas Bahia foi montar a cômoda que uma das meninas que mora comigo havia comprado. A princípio, o cara chegou no meio de um dilúvio que caía em Campinas (aliás, que tá caindo a mais de mês... só hoje que fez um solzinho), de moto, mas estava protegido. Ele começou o trabalho e começamos a conversar um pouco, pra distrair aquele clima pesado.
Depois de ele matar a própria curiosidade perguntando sobre como era viver em uma república e estudar na Unicamp (praticamente todos os moradores mais distante da Universidade o olham com ares de grandeza quando descobrem que você estuda lá, quando tudo que você quer é que eles o vejam como um humano igual), questionei sobre o trabalho dele. Ele me disse que já fazia as montagens já há uns dez anos. Uma cara jovem, devia ter seus 27.
- E quanto tempo você trabalha por dia? - Ah... umas 18 horas. - 18? não peraí... Quantas horas você trabalha, e não até que horas você trabalha. - Então?! 18 horas. - 18?! 18 Horas?! - É, isso mesmo. - Rapaz, como é que você aguenta trabalhar tanto tempo? - Ah.. É complicado, por que você cansa um tanto. Mas como você tá na rotina, você acaba que não sente. Às vezes eu começo o trabalho às 9, e quando vi já são 1 hora. Passa rapidinho... - Mas por que tanto tempo? - É que a gente trabalha por comissão. Então a gente corre atrás pra conseguir botar uma grana a mais. - E vocês não tem um fixo? - 350, só. - Poxa... e quanto você tira no mês, mais ou menos? - Uns 1800, 2000.. É, 2000 no mínimo. - Caramba, você trabalha demais. A que ponto chegou isso... - É, os patrão exige bem da gente viu. - Você tem família? - Só tenho minha mulher só... Mas sabe, eu não pretendo ficar aqui a vida inteira não, é complicado. Quero poder abrir um negócio próprio, sabe? - É mesmo? E você quer mexer com o quê? - Eu gosto de mexer com calçado. Quero abrir uma loja de calçado, por que aí entra uma grana legal. A moda tá sempre mudando aí, e o pessoal sempre procura algo novo. Quero mexer com isso...
É pelo fato de haver uma esperança em meio aos problemas que devemos nos mover na busca de um mundo justo.
Escrito por Sydnei Melo às 16h55
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Até que a semana passou rápido. Com tanta chuva e frio fora de época, parecia que seria o contrário. Não foi. Agora percebo que passou rapidinho essa semana.
Só de saber que agora eu tenho descanso no sábado já é um alívio imenso.
Trabalho pelo período da manhã, e por enquanto só estou catalogando dados de pesquisas - já realizadas - para a classificação de dados do CESOP. Na segunda mesmo haviam chegados os dados e todas as pesquisas eleitorais realizadas pelo IBOPE no ano de 2006.
Creio que tudo ali será muito proveitoso para mim. As pesquisas de opinião possuem uma importância muito forte na pesquisa acadêmica da área de humanidades. Entrar em contato direto com informações que podem contribuir com a mudança absoluta de determinada situação política é algo bastante interessante. Além disso, está sendo fácil aprender a mexer com os comandos, softwares e documentos do CESOP. A Simone e a Rosely tem me ajudado muito nesse sentido.
Depois de tantas polêmicas escritas aqui, algo leve pra terminar bem a semana.
Acho que vou pra Sampa amanhã para o culto de 50 anos da ABUB.
Escrito por Sydnei Melo às 19h05
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Outra visão sobre crianças de outra realidade
Já faz uns dias que vejo na tv reportagens jornalísticas discutindo o isolamento das crianças da relação com outros pequenos na modernidade, como fruto do avanço das tecnologias e de situações cotidianamente urbanas, como a violência. É engraçado como as imagens nos parecem tão óbvias quando imaginamos tantas crianças nesse mundo. Imaginamos uma rede de crianças isoladas de forma global, um tremendo mal para o desenvolvimento do ser em um mundo de tantos avanços.
Mas venho a discordar da forma como a imprensa pinta tal situação, que aparece em nossas telinhas como se fosse realidade aquilo que instiga o desejo de consumo que perpassa a sociedade capitalista. Famílias de filho único e seus super-brinquedos em suas super-brinquedotecas de classe média alta pra cima não representam, no geral, a realidade da infância, e mais especificamente a condição relacional entre as crianças.
Sempre morei na periferia de Ribeirão Preto, e até hoje visito aquela região quando viajo para visitar minha família. Se a tv mostra o isolamento das crianças cercadas de cercas elétricas e seguranças nas escolas particulares, vejo pertinho de mim grupos de meninos e meninas correndo às pressas no centro do parque Tom Jobim para saber quem terá que achar os amigos no pique-esconde, ou quem vai pegar aquela pipa amarela que acabou de ser cortada, ou um 5 vira, 10 acaba na quadra de areia. Crianças e adolescentes (e às vezes, até uns marmanjões) se reunem constantemente para viverem um tempo de descontração e diversão, de brincadeiras que a tv não mostra (prega como antigas, de um tempo bom onde tudo era harmonioso e seguro).
A tecnologia não é um mal em si. Video-games e bonecas falantes não significam a extinção das relações humanas. Muito pelo contrário, ela não exclui a criatividade, mas promove uma nova forma de se pensar a brincadeira. Ocorre a transformação do lúdico na vida da criança, novos conceitos e brincadeiras, e com isso surgem também novas maneiras de se ver o mundo, de encarar o outro, suas autoridades, sua educação, seu próprio corpo, e de pensar a relação do grupo, o novo grupo que surge.
Existem alguns exemplos: nas lan-houses da periferia das cidades há muitas crianças jogando e se divertindo, junto com seus colegas, através de conexões de rede que permitem que eles interajam ao mesmo tempo naquele jogo; Os video-games, principalmente quando tem seus preços popularizados, lotam casas e promovem verdadeiros campeonatos entre as crianças (tanto meninos quanto meninas).
E apesar disso, as tais brincadeiras tradicionais, folclóricas, não foram excluídas do cotidiano infantil, nem mesmo nos grandes centros urbanos. Muito se verá de correr, pular e esconder entre as crianças, de jogar bola e soltar pipa, e de chegar exausto de cansaço no final do dia. Isso é bom.
A realidade da imprensa, do menino só e dos seus brinquedos sós, não é a realidade da infância brasileira.
Escrito por Sydnei Melo às 16h41
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Que baita buracão!
Uma cratera engole máquinas e pessoas na cidade de São Paulo. Tomados pela irresponsabilidade e pela pressa da imagem da antiga tradição do pão e circo, políticos vêem um buraco de oitenta metros de diâmetro que está aberto neste momento ao lado da marginal pinheiros.
Neste momento, uma polêmica que surge é sobre os responsáveis por tal acidente. E isto não é um desastre natural.
Nunca nos esqueçamos que, como fruto dos projetos humanos em prol da tecnologia e do urbanismo, o enfraquecimento do solo, sua pouca hidratação, entre outras consequências, são frutos do projeto de urbanização que ronda a vida humana há séculos. Não podemos aqui dizer que tudo era fácil de se resolver, afinal o próprio desenvolvimento urbano trouxe consequências complicadas para a vida humana, como enchentes, os lixões, e o desgaste do solo que gera assoreamento dos rios, voçorocas e outros deslizes de terra. Por tanto, a melhor idéia seria a da manutenção da qualidade do local, evitando assim que qualquer ação humana pudesse prejudicar a vida naquele lugar, bem como acidentes como o de sexta-feira.
Os fatos não correspondem a esta qualidade. Moradores afirmaram em entrevistas aos vários veículos de imprensa que cobrem este caso que rachaduras e outros problemas estruturais haviam surgido desde o começo das obras da linha 4. As casas se tornavam enfraquecidas por conta destes abalos ao solo do local. Além disso, não foi divulgado pela imprensa que, antes deste, ocorreram outros onze acidentes com operários.
Tudo isso possui política. Primeiro, apresentando o caráter privatista deste fato. O consórcio responsável pelas instalações da linha 4 do metrô possui a participação de 4 empresas de engenharia, entre elas a Odebretch, a maior empresa de engenharia do Brasil. Era de responsabilidade deste os laudos técnicos que afirmariam a viabilidade ou não da obra. O local, até sexta, já havia sofrido acidentes, bem como infiltrações em outros lugares (a obra localiza-se ao lado do Rio Pinheiros). Para o estrago visto, um erro seria algo considerável se não se tratasse de grandes empresas (e em se tratando de obras públicas terceirizadas, o bem estar social não é o mais importante) e de um governo que havia concedido 30 anos de cuidados e lucros para estas empresas, com direito a repasse de custos à passagem e complemento de verbas públicas aos caixas das empresas se as metas de verbas não fossem batidas.
Segundo, o caráter político imagético. Era de interesse dos governos municipal e estadual (ocupados, respectivamente, por Gilberto Kassab - PFL - e José Serra - PSDB) o apelo popular que a nova linha de metrôs alcançaria, e quanto mais rápido e "eficiente" fosse sua construção, melhor para a imagem das autoridades. A linha política privatizante seguida a risca por estes governantes nos apresenta um sério cenário político que prejudica a população, a entrega das responsabilidades públicas aos interesses do capital, do distanciamento do Estado em relação às política de infra-estrutura e bem estar social em prol do lucro e da redução dos gastos públicos.
Em todo este jogo há responsabilidade política, de entrega do bem público a interesses particulares, e de irresponsabilidade técnica que permitiu, mesmo com sinais visíveis de problemas para moradores e trabalhadores do local, que um acidente fatal como esse viesse a acontecer.
http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/410001-410500/410023/410023_1.html http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/410001-410500/410016/410016_1.html
Escrito por Sydnei Melo às 22h25
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Soldados Perdidos
Mais vinte. Mais vinte mil. Homens e mais homens destinados a viver um inferno em suas vidas. Esta é a medida adotada pelo senhor presidente do Estados Unidos George W. Bush.
Convenhamos, o presidente deve ter um péssimo estrategista de marketing e política. A oposição popular à guerra do Iraque já se encontra na casa dos 70%, e somado a isso há um novo congresso tomado pelo Partido Democrata, que declaradamente usará seu poder de veto para impedir o novo acréscimo de soldados às tropas que estão hoje nos arredores de Bagdá.
O mais preocupante para mim, no entanto, não é aqueles que fazem política no norte. Mais saliente é o gosto pelo conflito, pelo ódio e pela guerra que move pela história este império militar. Mais duro do que o congresso e a casa branca é saber que homens movidos pelas ordens e pelo ápice de patriotismo, se propõem a viver dias de amargura, sofrimento e, por que não dizer, loucura.
Hoje eu assisti Soldado Anônimo, que retrata a história de Swofford, um fuzileiro naval estadunidense combatente na Guerra do golfo, no início da década de 90. Em um interessante tom psicológico, o filme aborda as angustias, preocupações, desejos e sofrimentos de soldados treinados para matar, em uma guerra silenciosa, à espera constante do conflito que nunca chega, com as friezas e durezas do tratamento militar.
Penso em como tudo isso pode ser real na atual situação do exército americano no deserto árabe. Homens que, apesar de se alistarem voluntariamente (o serviço militar nos EUA não é obrigatório) devem estar em delírios com tantas mortes e ataques dos movimentos extremistas islâmicos, e desejosos de seu retorno imediato ao continente americano, impedidos pelos desvairios de um presidente que tenta remendar os erros da guerra que escapou de seu controle.
O mundo assiste, estarrecido, a esta odisséia, e espera que logo esse pesadelo possa acabar. Para bem do mundo, e para o bem dos homens que são obrigados a lutar a guerra do presidente.
Assistam ao filme. Vale à pena.
Escrito por Sydnei Melo às 01h07
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
João e Maria - Chico buarque/Sivuca
Agora eu era o herói E o meu cavalo só falava inglês A noiva do cowboy era você além das outras três Eu enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhões Guardava o meu bodoque e ensaiava o rock para as matinês
Agora eu era o rei Era o bedel e era também juiz E pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz E você era a princesa que eu fiz coroar E era tão linda de se admirar Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não Finja que agora eu era o seu brinquedo Eu era o seu pião, o seu bicho preferido
Vem, me dê a mão, a gente agora já não tinha medo No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim Pra lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim Pois você sumiu no mundo sem me avisar E agora eu era um louco a perguntar O que é que a vida vai fazer de mim?
Já estou correndo atrás pra saber...
Escrito por Sydnei Melo às 23h48
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Um ano quente
O mundo deve passar pelo ano mais quente de sua história em 2007, segundo previsão do Departamento Britânico de Meteorologia (Met Office). http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2007/01/070104_temperatura_global_crg.shtml
O ano mais quente da história do mundo. A que ponto chegamos?
É impressionante como tantos alertas, tantas mensagens, tantas pessoas sofrendo com calores insuportáveis, enchentes impressionantes, poluições severas não foram suficientes para despertarem o temor na humanidade. Em pleno século XXI ainda se vive o tempo da busca desenfreada pela riqueza, da matança das fito e zoo espécies, do espalhar dos monóxidos pela atmosfera, e tudo isso vem somar a novos fenômenos climáticos para nos fornecer mais uma notícia estarrecedora.
O que já parecia óbvio volta a assustar populações inteiras. No ápice evolutivo da sociedade de consumo nos vemos agora numa encruzilhada, de sofrimentos gravíssimos para a população mundial. No Brasil, enchentes diluvianas assolam o sudeste brasileiro e matam pessoas nos barrancos, a beira dos rios, de doenças no esgoto a céu aberto. No nordeste, pessoas sofrem com a seca, vêm seus bois e seus filhos serem desossados pelo sol, pelo calor impiedoso e pelas política cretinas da cultura coronelista que ainda predominam nessa região.
Em tantas outras regiões do mundo, pessoas se surpreendem. Que calor é aquele em Nova York? Em pleno inverno se alcançam temperaturas acima dos 20º C, algo somente ocorrido a mais de um seculo atrás. Geleiras degelam constantemente no polo Norte e na Groenlandia, e podemos esperar novas ondas de calor intenso e severo na Europa, como o do ano passado, que matou mais de 20 mil pessoas.
Ainda é possível mudar isso? Se depender da nossa própria ignorância humana e do ego infladamente consumista das grandes potências industriais/empresariais deste mundo, a situação só tende a piorar de forma cada vez mais acelerada. As catastrofes climáticas estão arduamente acentuadas, mudando seus roteiros, suas formas, e assustando, colocando medo à população que morre à espera de ajuda e solução.
Um mundo clama por socorro. E buscar a solução não depende simplesmente de diminuir a saída de monóxido de carbono das chaminés industriais. Depende de política. Política inovadora. Política comprometida com o bem estar humano, igualdade e justiça.
E a política que vivemos hoje não nos levará a isso. Ela é cega.
Escrito por Sydnei Melo às 16h43
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Hoje foi dia de acertar as coisas. Encontro-me em Campinas, mais precisamente na Unicamp, para acertar os ultimos documentos que faltam para iniciar o meu estágio.
Eu trabalharei no CESOP, Centro de Estudos de Opinião Pública, no IFCH/Unicamp. Vou ajudar em trabalhos e catalogação de dados de pesquisas da área em um software específico.
Realmente, estou me sentindo muito bem. As pessoas parecem muito receptivas, e acho que ali terei total apoio para desenvolver minhas aptidões na área de Ciências Sociais. Comecei o ano de 2007 com um grande presente!
Escrito por Sydnei Melo às 13h05
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
É ano novo. A gente tem mania de repensar nossas atitudes, tudo o que pensamos, fazemos, erramos e que queremos acertar. Às vezes nos faltou um pouco de coragem; em outras, um pouco de audácia; às vezes, um pouco de bom senso. Vai ver por isso às coisas não parecem tão boas, ou tão ideais, como esperamos.
Pensar realmente é muito pouco. E de certo, também de nada vai bastar se pensarmos com coragem, audácia e bom senso, se não resolvermos realizar as atitudes próprias desse pensamento.
A muito que já vejo idéias transformadoras e revolucionárias só ficarem no papel. A crítica é pertinente. Aliás, ela também serve pra mim. Sim, sim... é necessário pensar as coisas, refletir um pouco, mas botá-la em prática, e não ter medo de lutar por ela. Fazê-lo de forma consequente, sensata; nunca de maneira estabanada.
Espero desse ano um aprendizado constante... e a força para mudar as coisas. Do jeito que tá, não dá...
Pensamentos à deriva...
Escrito por Sydnei Melo às 21h14
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |
|