Um socialista nas Lojas Americanas

O título é meramente uma ironia.

Durantes estes ultimos meses estive trabalhando. Lembram-se que eu havia começado a trabalhar com telemarketing em uma escola de informática? Pois bem, foram poucos dias. Enquanto estava no expediente, já providenciando alguns documentos para fazer meu registro, ligaram no meu celular. A indicação que havia sido feita de uma amiga lá de Ribeirão Preto surtiu efeito, e fui chamado para trabalhar nas Lojas Americanas. Mais precisamente, na Financeira Americanas-Taí (isso mesmo, aqueles pessoal com aquelas calças vermelhas que ficam a loja abordando você pra fazer seu cartão da loja e seu empréstimo).

Foram quase quatro meses trabalhando com isso. Conheci pessoas muito legais, com as quais convivi e aprendi bastante coisa sobre a forma como pensam, suas opiniões. Nós, meros pequenos burgueses privilegiados por poder estudar numa universidade pública, não conseguimos compreender ou ao menos ter idéia de como agem, pensam e sonham estas pessoas que vivem seu dia-a-dia de luta e batalha neste mundinho cada vez mais competitivo, excludente e desesperançoso.

Ok, confesso que esta nunca foi a atividade que eu desejei. Se alguma coisa aconteceu em relação às minhas idéias, é que elas só se fortaleceram. O exercício dos grandes vendedores e marketeiros é fazer sua melhor venda, como se aqueles fossem os melhores produtos, mesmo nós sabendo que o caro cliente poderia arcar com conseqüências graves para ela (um tanto caras, diga-se). Tive que me calejar para não ficar tristonho ao saber que uma pessoa sacou um alto valor em dinheiro para comprar o Playstation 2 do filho e vai pagar mais que o dobro do preço pra financeira. Para alguem que deseja ajudar na transformação do mundo, uma atividade como essa só nos demonstra como ocorrem coisas bizarras na busca pelo lucro absoluto. Principalmente em algo que teve sua competitividade aumentada fortemente, que é o caso das financeiras de crédito pessoal.

Apesar destas coisas, não posso reclamar muito. A julgar por boa parte das pessoas com as quais convivi, e que sempre me respeitaram, contando um pouco delas, suas experiências, fossem funcionários ou clientes, valeu a pena. Saio do regime semi-escravo para a liberdade de cabeça erguida e com saudade de muitos seres dali.

Na verdade, acho que tinha de passar por isso para conseguir um belo presente de Natal. Foi um semestre dificil, onde trabalhava em horário comercial, de segunda a sábado, com metas a serem cumpridas, em um ambiente corrido, quente e com sérios problemas de infra-estrutura (disto realmente convém reclamar: a loja em que trabalhei oferece péssimas condições sanitárias). Estudava à noite, e tive que reduzir o número de disciplinas, passar algumas horas das madrugadas fazendo meus trabalhos, lendo um pouco na correria.

A uma semana atrás, fui chamado para estagiar na propria universidade. Vou trabalhar menos tempo e aproveitar meu curso com muito mais qualidade. Penei este ano para reconhecer minhas dificuldades, e agora termino com a garantia real de que mais um ano de meu curso está garantido.

Louvado seja Deus.


Ah... Sabe a escola de informática? Outro cara que trabalhou comigo ficou lá e estava esperando seu registro. Não foi registrado, e depois que o responsável viu a escola cheia de matriculas, dispensou meu amigo. Se eu continuasse lá, talvez este também fosse meu destino. Ouso tirar uma conclusão, depois de ver coisas bizarras em duas escolas de informática/formação profissional em que trabalhei: São todas dirigidas por cretinos e irrespeitáveis exploradores da boa vontade alheia. Não é à toa que só se encontram liberais e pessoas que "amam dinheiro" (é, eu cheguei a ouvir isso...) nesses lugares. Desejo sinceramente que alguém possa me mostrar o contrário, se não...



Escrito por Sydnei Melo às 16h58
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De volta!

É... acho que agora posso dizer que voltei a vida dos blogs. Com cara nova e muita vontade...

Não estranhem tanta demora. Às vezes não compreendemos que precisamos passar por alguns desafios para aprender a enfrentar a vida com a cabeça mais erguida. Isso mesmo... O ano de 2006 foi um ano de aprendizado forte para mim. Digamos que as dificuldades que me sucederam foram um tanto presentes nesses dias passados, e com os quais pude compreender como tomar determinados caminhos (aliás, quais tomar), sofrer um pouco com isso, mas me alegrar com os bons resultados. Vi pessoas diferentíssimas, simpáticas, lindas, estúpidas, fantásticas, ordinárias, exemplares, nos quais pude refletir, discutir, observar, rir e chorar.

Sinto-me com o alívio de um dever cumprido, e de deliciar bons frutos desta batalha.

Este é meu epílogo de retorno. Escreverei um pouco mas sobre o que me sucedeu durantes estes dias de ausência. Espero que todos vocês tenham tido um natal maravilhoso.



Escrito por Sydnei Melo às 11h08
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