Essa prova

 

Maximilliem de Robespierre e Emmanuel Sieyés

 

Hoje foi dia de prova.

E acho que o professor tinha comido palhacitos e queria pregar uma peça na gente.

Já sabíamos de antemão que a prova duraria apenas uma hora. Para estudantes de Ciências Sociais, isto é muito pouco. Costumamos fazer provas com no mínimo duas horas, isso se a prova não for tão extensa a ponto do professor preferir que levemos a prova pra casa e façamo-las digitada, times new roman 12 espaçamento 1,5. Nossas provas são costumeiramente reflexivas, e escrevemos muito, realmente muito... Bem, se era apenas uma hora de prova, então teríamos que ser bem sucintos em relação a qualquer tipo de questão que o professor colocasse.

Até este momento da disciplina de política (Teoria do Estado I) haviamos lido as obras de 4 autores: Emmanuel Sieyés, Maximilliem de Robespierre, Louis Ambroise de Bonald e Benjamin Constant (todos contemporâneos do período da Revolução Francesa). Antes que você desista da leitura, afirmo que não explicarei as teses de cada autor. Seria um desafio imenso para minha paciência, que neste momento está autoritária: "Desabafa!!!! Só isso!!!!"

Dissertar sobre o Governo Representativo era nossa função nesta prova. Não tinhamos que falar dos quatro, podiamos falar apenas de dois até, mas o tema deveria ser relacionado. Eu, com a boa vontade que estava no momento, resolvi que escreveria sucintamente as teses do governo representativos dos quatro autores (o que daria três páginas de um folha almaço), e o entregaria feliz e contente fazendo valer todo o estudo que fiz nos dois dias anteriores. Introduzi  com uma apresentação sobre a Revolução francesa, e logo fui explicar as teorias de Sieyés. Feito isso, parti para Robespierre. Não era algo fácil, realmente, mas estava escrevendo. Pretendia começar a escrever sobre Bonald quando o caro professor comunica: "10 minutos para entregar a prova". Aquilo estava parecendo um vestibular, em pleno IFCH¹, algo inconformável!!! Bem... só pude escrever sobre os dois. Corri com um ultimo paragrafo para apresentar alguns pontos de vista divergentes entre o Robespierre e o Sieyés, e simplesmente voltei ao inpicio do texto e no final do paragrafo acrescentei: "Serão colocadas as reflexões de alguns pensadores dessa época (até aí, eu tinha dado um ponto final, pretendendo escrever sobre os quatro) [:Sieyés e Robespierre].

Confesso que saí até aliviado da prova por ter escrito sobre dois autores, mas mesmo assim foi algo absurdo na minha visão, e era possível ver na cara dos outros estudantes e compatriotas cientistas sociais a frustração, quando tentaram escrever sobre todos os autores e não aprofundaram melhor, ou então os paragrafos que ficaram por terminar...

O tempo do Vestibular (ou será ensino médio? Ou ensino fundamental? Ou...) foi revivido nestas horas... E o professor simplesmente recolheu os textos afirmando: "Acabou o tempo"...

Simancol se vende na farmácia? ¬¬'

 

¹Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Tirem suas conclusões.



Escrito por Sydnei Melo às 17h45
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Tamanho não é documento...

By Laerte

 

 



Escrito por Sydnei Melo às 20h13
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Olá colegas.

Normalmente eu costumo atualizar o blog toda segunda, mas eu simplesmente não tive contato com computadores no dia de ontem. Infelizmente as caronas no domingo não surgiram, tive que voltar bem cedo pra Campinas de onibus e passei o dia inteiro morrendo de sono e tentando ler alguma coisa pra essa semana. Na sexta feira apresento um seminário sobre o revolucionário Auguste Blanqui, que viveu no período da primavera dos povos (a Revolução de 1948) e da Comuna de Paris de 1971. Infelizmente não há nenhuma bibliografia do cara em português, o que está obrigando eu e outros membros do grupo a lermos e procurarmos artigos em outras linguas (o que não nos favorece - somos péssimos em linguas estrangeiras), principalmente espanhol. Mas creio que estamos indo bem, e que na sextafeira estaremos apresentando um belo seminário, todo bonitinho e o mais completo e ao nosso alcance possível.

Também não teremos aula n quinta feira, pois o professor de Antropologia estará em uma banca na Ufscar, o que nos deixa ironicamente entristecidos por termos um dia livre na semana.

Além disso, também preciso tomar vergonha na cara e começar a digitar alguns temas para o encontro dos jovens da Jumep que deve acontecer em Jaguariuna. Não o fiz ainda e não sei por que.

Tão vendo como ando folgado nesses dias? Poxa, nem eu mesmo esperava. Ok, ok... eu realmente confesso que meu sono anda me incomodando (ele anda pedindo mais e mais tempo todos os dias, e parece que o café é seu comparsa), e provavelmente por isso não ando me adiantando nas coisas. Mas ainda ei de resolver essa pendenga com meu cansaço.

A propósito, estarei ajudando o pessoal do CAMECC (Centro Acadêmico de Matemática, Estatística e Ciências da Computação) a organizarem seus arquivos, fotos e outros documentos, além de organizar uma exposição sobre a historia do CA com esses documentos. Deus abre as portas, e esse trabalhinho vai me ajudar um pouco aqui em Campinas. Além disso, estarei neste domingo prestando concurso na Caixam, para o qual eu confesso não estudei muito, e no outro domingo para a Unicamp, e esse sim eu quero estudar legal e fazer uma ótimas prova. Torçam por mim colegas.

Caros espectadores, sem mais me despeço. Grande beijo e abraço.



Escrito por Sydnei Melo às 12h44
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Ai, quem guetinou

Mick Jagger é a mais antiga celebridade em atividade contínua no mundo depois do Oscar Niemeyer e da rainha Elizabeth. Não procede a informação de que todos os Rolling Stones já morreram e seus cadáveres estão só cumprindo os contratos para evitar processos. O Mick Jagger está definitivamente vivo e em grande forma e confirmou, no show em Copacabana, aquela lenda de que nunca faz dois movimentos iguais sobre o palco. E seu poder mesmerizador sobre a platéia foi impressionante. Mais de um milhão de pessoas, mesmo descontando a turma do se-for-de-graça-eu-vou-a-tudo, que não sabia bem o que via e ouvia, ou quase via e mal ouvia, estava lá e cantou com ele “Ai, quem guetinou”.

Mick Jagger foi recebido no Brasil como divindade. Não se enche um deserto daquele jeito a não ser para adorar uma divindade. E, como toda divindade bem-sucedida, ele não trouxe verdades novas. Entendeu a ânsia no coração de cada um e regeu o clamor do nosso tempo pelo prazer e o abandono na linguagem universal do ressentimento em coro. O coro dos lamentosos: quem guetinou?

Quem guetinou a promessa de satisfação completa e constante com sexo, drogas e roquenrol do milênio, a promessa do paraíso recuperado e da juventude infinita, e esqueceu de dizer que a gente continuaria a envelhecer e a morrer como no modelo antigo?

Quem guetinou a disposição brasileira para a satisfação com qualquer festa e a avidez por qualquer comemoração, até a de quatro estrangeiros esquálidos, e nunca permitiu que esta vocação para a felicidade nos abençoasse com a redenção, com as dádivas do bem e a justiça dos deuses, enfim, com uma felicidade inédita? Somos muito dados. Quer dizer, muito bons de graça. Só o que pedimos em troca da adoração é que digam “Obrigado, Brazil” com um sotaque simpático, antes de nos deixarem.

A autora daquela faixa (suponho que seja uma autora) “Mick, faz um filho em mim” teve a idéia certa. Pedia para a divindade deixar alguma coisa dele conosco, como já tinha feito outra vez. Só foi um pouco egoísta. A faixa deveria ter se estendido por todo o deserto em frente ao Copacabana Palace e dito “Mick, faz um filho em nós”. Um pedido de toda a nação. Uma forma de dar relevância ao nosso amor grátis e de nos sentirmos um pouco menos guetinados.

Nosso filho nem precisaria ser um salvador, um líder, ou sequer uma razão para o Mick mandar uma boa pensão mensal para o Tesouro Nacional e ajudar a abater a dívida. Seria só um reconhecimento de que existimos e somos especiais, e não apenas aos nossos próprio olhos. Uma satisfação.

 

Luis Fernando Veríssimo 



Escrito por Sydnei Melo às 11h34
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Guernica. Pablo Picasso
http://history.sandiego.edu/cdr2/WW2Pics/55010.jpg

 

As notícias não andam interessantes nesse mundo... nem felizes... que pena.



Escrito por Sydnei Melo às 16h27
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"Quem perde seus bens perde muito; quem perde um amigo perde mais; mas quem perde a coragem perde tudo."

M. de Cervantes

Escrito por Sydnei Melo às 10h35
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Colegas, eu havia publicado aqui já o o relato do primeiro dia do coneb aqui na Unicamp, mas nos outros dias não consegui fazâ-lo, e creio que precisaria de muito tempo para poder fazê-lo. Por tanto resolvi retirar os texto e reescrevê-los, compilando assim minha análise dos tres dias de coneb para depois publicá-las. Creio que vou precisar de bastante tempo para fazê-lo, pq as informações são muitas.

Se alguem estava lendo, o que creio foi meio dificil afinal era um texto meio que além do normal, peço desculpas, e digo que estarei terminando de escrever o texto e o publicarei possivelmente... talvez demore um pouquinho, mas o farei..

sem mais, peço desculpas e pacieência..

espero que tenham tido uma otima páscoa, e desejo uma otima semana a todos



Escrito por Sydnei Melo às 22h21
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Véspera de feriado...

Olá Colegas...

    

     Venho escrever confirmando que nesta páscoa não estarei em Ribeirão. Acontece neste feriado aqui na Unicamp o Coneb, Conselho Nacional de Entidades de Base, promovida pela União Nacioanal dos Estudantes. O encontro terá a participação de vároios delegados de Centros Acadêmicos e diretórios Centrais de Estudantes espalhados pelo país, discutindo-se as diretrizes do movimento estudantil e o projeto dos estudantes para a política e a educação de nosso país. O Coneb não é realizado a mais de oito anos, e foi marcado para este feriado para acontecer aqui na Unicamp.

     Quem realmente não deve estar gostando nada disso são meus pais que concerteza queriam que eu estivesse em Ribeirão. Mas tenho certeza que eles serão compreensivos comigo e estarão torcendo para que eu aprenda muitas coisas para minha formação como militante. Pai e Mãe, eu adoro vocês viu?! E morro de saudades constantes de vocês, além do meu irmão, é claro... e de toda a família que tá em Ribeirão! O que seria de mim se vocês não me ensinassem esse espírito de luta?!

     A todos os amigos e familiares quero deseja uma boa páscoa e que Deus abençoe a todos vocês! E Talita, infelizmente não estarei aí para comemorar teu aniversario... Mas imagine que eu dei um grande abraço de parabéns em você, ok?!

     Ao longo dos dias tentarei divulgar as discussões ocorridas nos 4 dias em que acontecem o Coneb. A programação se encontra no site da UNE - www.une.org.br

 

     A verdade sobre Romeu e Julieta*

 

     Sabem porque Romeu e Julieta são ícones do amor? São falados e lembrados, atravessaram os séculos incólumes no tempo, se instalando no mundo de hoje como casal modelo de amor eterno?
Porque morreram e não tiveram tempo de passar pelas adversidades que os relacionamentos estão sujeitos pela vida afora. Senão provavelmente Romeu estaria hoje com a Manoela e Julieta com o Ricardão.
Romeu nunca traiu a Julieta numa balada com uma loira linda e siliconada motivado pelo impulso do álcool.
Julieta nunca ficou 5 horas seguidas esperando Romeu ,fumando um cigarro atrás do outro, ligando incessantemente para o celular dele que estava desligado.
Romeu não disse para Julieta que a amava, que ela especial e depois sumiu por semanas. Julieta não teve a oportunidade de mostrar para ele o quanto ficava insuportável na TPM.
Romeu não saia sexta feira a noite para jogar futebol com os amigos e só voltava as 6:00 da manhã bêbado e com um sutiã perdido no meio da jaqueta que não era da Julieta). Julieta não teve filhos, engordou, ficou cheia de estrias e celulite e histérica com muita coisa para fazer.
     Romeu não disse para Julieta que precisava de um tempo, que estava confuso, querendo na verdade curtir a vida e que ainda era muito novo para se envolver definitivamente com alguém. Julieta não tinha um ex-namorado em quem ela sempre pensava ficando por horas distante, deixando Romeu com a pulga atrás da orelha.
Romeu nunca deixou de mandar flores para Julieta no dia dos namorados alegando estar sem dinheiro. Julieta nunca tomou um porre fenomenal e num momento de descontrole bateu na cara do Romeu no meio de um bar lotado.
     Romeu nunca duvidou da virgindade da Julieta. Julieta nunca ficou com o melhor amigo de Romeu.
     Romeu nunca foi numa despedida de solteiro com os amigos num prostíbulo.
     Julieta nunca teve uma crise de ciúme achando que Romeu estava dando mole para uma amiga dela.
     Romeu nunca disse para Julieta que na verdade só queria sexo e não um relacionamento sério, ela deve ter confundido as coisas. Julieta nunca cortou dois dedos de cabelo e depois teve uma crise porque Romeu não percebeu a mudança.
     Romeu não tinha uma ex- mulher que infernizava a vida da Julieta.
     Julieta nunca disse que estava com dor de cabeça e virou para o lado e dormiu.
     Romeu nunca chegou para buscar a Julieta com uma camisa xadrez horrível de manga curta e um sapato para lá de ultrapassado, deixando- a sem saber onde enfiar a cara de vergonha...
     Por essas e por outras que eles morreram se amando...

Luis Fernando Veríssimo

*Estava lendo esse texto ontem e resolvi publicá-lo no Blog. Achei o texto bem interessante para vermos que certas coisas não são o fim do mundo...



Escrito por Sydnei Melo às 16h31
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     É duro de crer que a má interpretação dos textos de Vinicius de Moraes sejam a fantasia de uma situação que não sei se considero normal ou estranha. Beleza estímula tanto assim a boa estima em situações sociais como empregos, entre outros? Deixo abaixo um texto para reflexão, e questiono o que vocês acham sobre a idéia que não deixa de ser um senso comum muito bem distribuído na sociedade...

 


 

Beleza é fundamental. Até no salário

 

Há tempos que os economistas já reconheceram que a beleza física tem influências obre os salários, mesmo em ocupações nas quais a aparência não é relevante para o desempenho dafunção. Parece que homens e mulheres atraentes ganham melhores salários que as pessoas comuns, para fazerem o mesmo trabalho. A pergunta é por que isso acontece.

Dois economistas de Harvard e da Wesleyan University, Markus M. Mobius e Tanya S. Rosenblat, fizeram um experimento na tentativa de encontrar as raízes da chamada vantagem da beleza. O documento, intitulado Why Beauty Matters (Porque a Beleza Importa), foi publicado na edição de março deste ano da American Economic Review. A experiência deles envolveu um cenário no qual os empregadores entrevistaram candidatos para um emprego que consistia em solucionar labirintos.

Primeiro, os candidatos ao emprego preencheram um formulário de currículo onde constava idade, sexo, universidade, data de formatura, experiência profissional, atividades extras curriculares e hobbies. A seguir, os estudiosos deram aos participantes um labirinto simples para solucionar. Depois de completarem a tarefa, foi perguntado aos candidatos quantos labirintos semelhantes eles conseguiriam resolver durante um período de 15 minutos.

Este cálculo foi interpretado como um indicativo da confiança do participante na suas próprias capacidades. Na seqüência, cinco empregadores avaliaram os candidatos usando uma variedade de métodos: avaliando apenas o currículo; usando o currículo e uma fotografia; e usando o currículo e uma entrevista por telefone.Em outros casos, com o currículo e entrevista cara a cara.

Para obter uma estimativa imparcial sobre a beleza dos candidatos, os estudiosos mostraram uma fotografia de todos os participantes a um comitê e pediram-lhes que classificassem os candidatos numa escala de beleza.

De posse dos dados dessas experiências e levantamentos os economistas encontraram vários resultados interessantes. Descobriram que as pessoas bonitas não foram melhores que as comuns na solução dos labirintos. Mas, apesar de terem a mesma produtividade dos outros, elas se mostraram muito mais confiantes em relação às suas habilidades. Ter uma boa aparência parece estar relacionado com autoconfiança, característica atraente para os empregadores.

Quando os empregadores avaliaram os empregados tomando por base somente os currículos, a aparência física não influenciou suas estimativas, como era de se esperar. Mas todos os outros métodos mostraram estimativas de maior produtividade para as pessoas de boa aparência, e as entrevistas cara a cara renderam os números mais altos.Os empregadores consideraram as pessoas bonitas mais produtivas mesmo quando a única interação que tiveram com elas foi por telefone. Parece que a confiança que as pessoas atraentes têm em si mesmas é transmitida por telefone assim como pessoalmente.

Os economistas avaliaram que cerca de 15% a 20% da vantagem da beleza é resultado do efeito da autoconfiança, enquanto a comunicação oral contribui com 40% e a visual com outros cerca de 40%. As pessoas de boa aparência são também boas comunicadoras, e suas habilidades de comunicação oral contribuem quase tanto quanto a percepção dos empregadores sobre sua aparência. Até mesmo nas entrevistas por telefone os bonitos se saíram melhor.

Gilberto Dimenstein

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/cbn/capital_070406.htm 



Escrito por Sydnei Melo às 12h15
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Ao caro astronauta:

  Grande Marquinhos! Que sonho não? Imagine quantas estrelas, quanta tecnologia, tantos objetos que devem literalmente voar sobre sua cabeça... Nem consigo pensar algo que aparente a magnitude deste fato, que faz criancinhas desenvolverem esta nova perspectiva profissional, brasileiros esticarem seus olhos às telas globais para te ver com esse rosto um pouco mais arredondado (esta falta de gravidade...), curiosos pelos experimentos, peças e plantinhas de feijão que você levou para testes aí em cima. Mas principalmente, o detalhe de ser um brasileiro na estação espacial! Coisa sublime, estupenda, um orgulho verde-amarelo...
     Você hoje realmente representa algo inédito, fascinante, talvez impensável na consciência deste povo. Vês a Terra azul, o que daqui debaixo, poderiam dizer, está perto de se tornar utópico; o Brasil, passa tantas vezes por cima, deve ser tão bonito que te anestesia do que deves conhecer de comum nesta terra.
     Aqui embaixo você nos faz lembrar uma música do Raul, aquela da propaganda do brasileiro que não desiste nunca (e não vejo o momento em que essa campanha voltará com a sua cara estampada, Marquinhos), uma vitória da insistência, da luta pra conquistar espaços além da estratosfera, fugindo um pouco dessa realidade terrestre, outros ares.
     Pense bem no momento. Olhe tudo a sua volta. Não acha que apenas oito dias é muito pouco por aí? Pense novamente... Você possui uma oportunidade única. Tem certeza que voltará tão rápido? Aliás, tem certeza que quer voltar?
     Caro Marquinhos, você está pra lá do céu. Aqui embaixo, a gente vibra com sua conquista como se fosse nossa, dentro de nossas casas, com um olho na tv e outro na janela. Sabe, a qualquer momento pode entrar alguma tranqueira e tentar assaltar todo mundo, levar tudo, igual fizeram semana passada com o vizinho, enquanto a segurança nesse país continua frouxa para nós, que habitamos esta terra. Por aí não tem bala perdida, nem sequestro, assalto e outras peripécias maléficas. Você está cercado de tecnologia, de investimento, de dados e sistemas computadorizados, está privilegiado por algo de alta riqueza. Pra que voltar para o meio da desigualdade? Que bem lhe faria voltar à civilização, vendo gente dormindo na calçada, homens explorando brutalmente outros homens com escravidão e infração de leis, mulheres sendo constantemente abusadas, crianças nas ruas, famílias procurando comida no lixo? Livre-se dessa mazela! A tantos quilometros daqui você está longe das guerras, dos atentados, do terrorismo. Você está longe da nossa ignorância e arrogância. Não queira correr riscos.
     Você é fruto de investimentos, Marquinhos. Enquanto a gente espera o dinheiro chegar na educação de nossas criancinhas, para a previdência de nossos velhinhos, para estruturar a saúde que anda aos arrastos, na esperança de que toda essa verba não seja simplesmente repassada a bancos, latifúndios, mensalões, não-sei-o-que-dutos (eu realmente pensava que o tempo dos tucanos tinha passado), malas, roupas intimas e outros meios desvantajosos à maior parte do povo,  você viu o governo de seu país investir milhões neste projeto espacial, mesmo que não haja retornos significativos para o Brasil. Marquinhos, você é um orgulho só por que está aí! Siga este conselho: busque uma vida em paz! Pense no seu bem estar, pense direito na sua vida! Quer mesmo voltar?
     É Marquinhos... A vida por aqui não está fácil. Está cheia de problemas que você conhece. Portanto, não pense duas vezes: fique perto das estrelas, fuja da gravidade, continue a voar e ver a terra azulzinha, azulzinha... Mande uma mensagem de vez em quando para saber se as coisas estão ou não progredindo por aqui, e fique em paz... Para nós, que estamos arraigados a esta terra, é complicado viver. Só nos resta lutar por aqui... E sonhar.

 


 

Estava digitando ao som de Djavan... Mas deixo pra vocês agora o som do Doves.

Bom fim de semana a todos...



Escrito por Sydnei Melo às 21h28
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Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguem.

João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que nãoo tinha entrado na história.




Baseado na falta de qualquer tipo de hipótese ou tentativa que explique o que será do meu futuro... são planos mesmo...


Escrito por Sydnei Melo às 11h11
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     "Nenhuma força tem o direito de maltratar a esperança da qual é portadora. quando eu era jovem, trabalhava no semanário uruguaio Marcha, e meu mestre em jornalismo, e não só em jornalismo, foi o diretor do semanário, Carlos Quijano. Ele sempre dizia: 'O únicopecado que não tem perdão, o único que não merece redenção, é o pecado de quem peca contra a esperança'.

     Naquela época, eu achava que a frase era bastante pomposa. Com o passar do tempo, aprendi quanta razão tinha dom Carlos. Não se pode brincar com a fé do povo, essa expectativa popular de transformação da realidade dentro da ordem democrática. O pecado contra a esperança vira pecado contra a democracia.

     É gravíssimo o que está acontecendo no Brasil. Houve um divórcio crescente entre o que foi prometido e o que foi feito na verdade. Até certo ponto, é inevitável um abismo entre o desejo e o mundo real, entre o querer e o poder. Mas houve sim um desenconro grave, sobretudo em matéria de política econômica e os programas sociais do presidente Lula, que ficaram de molho. Depois ainda veio o escândalo, com compra de votos, homens, partidos...

     A esperança é frágil. Precisa ser cuidada, tratada com muita delicadeza. Em outros tempos, o chamado realismo socialista , que não era realismo nem era socialista, dizia que a esperança do povo era de aço. Mentia. E de cristal."

 

Eduardo Galeano, Escritor uruguaio, autor de As veias abertas da américa Latina.



Escrito por Sydnei Melo às 15h07
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