FELIZ ANO NOVO!
Deixo aos colegas uma mensagem de Luis Fernando Veríssimo para este ultimo post do ano. O blog entrará em recesso de uma semana, e deixo aos colegas esta bela mensagem. Desejo a todos um otimo início de ano, muita paz e vitorias!
Ainda pior que a convicção do não, é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor.
Mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão, para os fracassos, chance, para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando...
Fazendo que planejando...
Vivendo que esperando...
Porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Luis Fernando Veríssimo
Escrito por Sydnei Melo às 21h15
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Competição tá acirrada, né?

By Ziraldo.
Ano que vêm, companheiros...
Escrito por Sydnei Melo às 11h17
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"Deu-se aquilo porque sinhá Vitoria não conversou um instante com o menino mais velho. Ele nunca tinha ouvido falar em inferno. Estranhando a linguagem de sinhá Terta, pediu informações. Sinhá Vitoria, distraída, aludiu vagamente a certo lugar ruim demais, e como o filho exigisse uma descrição, encolheu os ombros.
O menino foi à sala interrogar o pai, encontrou-o sentado no chão, com as pernas abertas, desenrolando um meio de sola.
- bota o pé aqui.
A ordem se cumpriu e Fabiano tomou medida a alpercata: deu um traçoi com a ponta da faca atrás do calcanhar, outro adiante do dedo grande. Riscou em seguida a forma do calçado e bateu palmas:
- Arreda.
O pequeno afastou-se, mas ficou por ali rondando e timidamente arriscou a pergunta. Não obteve respota, voltou à cozinha, foi pendurar-se à saia da mãe:
-Como é?
- Sinha Vitória falou em espetos quentes e fogueiras.
- A senhora viu?
Aí sinha Vitória se zangou, achou-o insolente e aplicou-lhe um cocorote.
O menino saiu indignado com a injustiça, atravessou o terreiro, escondeu-se debaixo das catingueiras murchas, à beira da lagoa vazia."
Vidas Secas, Graciliano Ramos
E nós,vamos simplesmente chorar por conta da injustiça? Ou vamos tentar revolucionar as estruturas nesse novo ano?
Pensamentos para 2006...
Escrito por Sydnei Melo às 11h10
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Passagem do ano
O último dia do ano Não é o último dia do tempo. Outros dias virão E novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida. Beijarás bocas, rasgarás papéis, Farás viagens e tantas celebrações De aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia E coral,
Que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor, Os irreparáveis uivos Do lobo, na solidão.
O último dia do tempo Não é o último dia de tudo. Fica sempre uma franja de vida Onde se sentam dois homens. Um homem e seu contrário, Uma mulher e seu pé, Um corpo e sua memória, Um olho e seu brilho, Uma voz e seu eco. E quem sabe até se Deus...
Recebe com simplicidade este presente do acaso. Mereceste viver mais um ano. Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também. Em ti mesmo muita coisa, já se expirou, outras espreitam a morte, Mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo, E de copo na mão Esperas amanhecer.
O recurso de se embriagar. O recurso da dança e do grito, O recurso da bola colorida, O recurso de Kant e da poesia, Todos eles... e nenhum resolve.
Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas. O corpo gasto renova-se em espuma. Todos os sentidos alerta funcionam. A boca está comendo vida. A boca está entupida de vida. A vida escorre da boca, Lambuza as mãos, a calçada. A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.
Carlos Drummond de Andrade
Escrito por Sydnei Melo às 14h08
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Um feliz Natal...
Tudo o que posso dizer! Tive um otimo Natal. Nada relacionado a presentes, nem mensagem de tv ou coisa assim. Foi um Natal abençoado.
Primeiro uma ceia maravilhosa com minha familia, na casa da vovó! Comida caseira, já faz idéia dos apuros de gulodice que passei, não?
No domingo, no dia de Natal, benção. Eu, meu irmão, e mais várias pessoas fomos batizados no culto de Natal da nova Igreja Cristã da Zona Sul de Ribeirão Preto. Fizemos nossa publica profissão de fé e fomos batizados, e agora esperamos ser instrumentos fieis da obra de Deus nesta cidade. Além de outros colegas também trem se batizado ontem, três adultos: o Nei, a Vânia e a Dona Benedita, uma senhora de quse 80 anos que se converteu no decorrer deste mês. Uma graça de pessoa.
Depois ainda fizemos uma encenação na Cantata de Natal apresentada pelas crianças. Vocês estão lendo um texto daquele que fez o malvado rei Herodes, rsrs. A gente só não conseguiu tirar o carrinho de plástico da mão do pequeno Jesus, mas tudo bem, foi muito legal e engraçado...
Meu maior presente de Natal...
Escrito por Sydnei Melo às 11h42
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O Natal e nossas vidas
"E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo(...)"
Lucas 1, 31-32.
Eis o Natal, todos os anos simbolizada entre as pessoas como a renovação da fraternidade, dos amores, do espírito de paz; é tempo de fantasia, da criançada em torno dos pinheirinhos, de luz nas casas das nossas cidades, de abraços amigos; é tempo de consumo, de lojas abarrotadas, de milhares de papais noéis espalhados pelo ocidente a divertir nossos pequenos. Passam os anos, a tecnologia evolui com seu máximo potencial: as industrias avançam, a globalização se espalha cada vez mais rapidamente, aumenta a desigualdade social em nosso mundo, e Papai Noel e seus anões tem cada vez mais dificuldades para fazer os brinquedos tão complexos e robotizados tecnologicamente que as crianças pedem hoje em suas cartas. Avança sobre o mundo o rancor, a injustiça, o meio ambiente é constantemente degradado. O mundo perece, vivemos apenas para o individualismo, em uma contínua competição pela felicidade material. Guerras em todos os lugares, povos sobrepondo-se a povos. A corrupção corrói as instituições, nossos representantes entregam-se à ilegalidade, e nossa esperança parece esvair-se hora após hora, dia após dia. Chegado o Natal, tantas dificuldades são colocadas, pelo menos por um momento, no esquecimento. Festejamos, trocamos presentes, ceamos e depois voltamos a nossa voraz rotina de problemas. O Natal, absolutamente antes de qualquer coisa, é a celebração da chegada de nosso Senhor e salvador Jesus Cristo a terra, aquele que veio para depois se entregar em favor de nós e vencer a morte, dando àqueles que o vêm com o Senhor de suas vidas a salvação e a felicidade eterna. Nosso Emanuel colocou-se para mostrar o caminho da verdade, da vida e da paz para os homens. Cristo pregou humildade, igualdade, justiça, compaixão. E estes valores tão sublimes e que tantas vezes saudamos no esforço teórico de nossas esperanças e utopias, tristemente carece de homens e mulheres que se disponham a colocá-las em prática. Nosso vão egoísmo, frutificado pela organização deste sistema econômico-social tão problemático em que vivemos, não permite a realização destes nobres valores em nossa sociedade. Falta Cristo aos nossos corações. Visto o Natal que mais uma vez se aproxima de nossos dias, é importante lembrarmos da verdadeira simbologia que esta data deve representar, a de que nasceu um homem, um filho de um Deus grandioso, que magicamente mudou vidas, e que marcou por toda a eternidade a historia deste pequeno mundo. Um homem, tão simples e tão magistral, que nasceu para nos mostrar o caminhos da verdade. da busca pela paz e da concretização da justiça para todos os seres humanos desta terra. Não façamos o dia de Natal a data da fraternidade, do respeito e do amor, mas preguemos esses valores em todos os dias, meses e anos, desenvolvendo estes sentimentos para buscarmos um país melhor, a paz entre os povos, o respeito às diferenças e o fim da desigualdade social. Vivamos o Natal todos os dias, eternamente. Que Deus abençoe a todas e todos.
Escrito por Sydnei Melo às 00h17
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Salvem a professorinha?

By Quino.
Ano que vêm, criançada...
Escrito por Sydnei Melo às 10h53
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"Temos todos duas vidas, uma a que sonhamos, outra a que vivemos".
Esta frase de Fernando Pessoa abria e fechava meu último filme "Quase Dois Irmãos", numa decisão que foi vista por muitos como a imagem da desesperança.
O filme foi finalizado antes que a crise política vivida pelo Brasil em 2005 nos espantasse e tomasse de assalto nossos desejos e nossa - é veradade - fragilizada esperança. Premonição? Acho que não.
Fernando Pessoa é o poeta da melancolia, mas é também o poeta que nunca teve medo de se acercar do humano em toda a sua dimensão. "Não sou nada, não fui nada, nunca serei nada, à parte isto, tenho em mim todos os sonhos do mundo", também disse pessoa.
E o que é a esperança senão nossos sonhos? Porque a experiência e o conhecimento nos apresentam um mundo que não é perfeito. Diante dele, podemos fechar os olhos e nos tornarmos idiotas. Ou utilizarmos apenas a razão e nos tornarmos cínicos.
Mas podemos também continuar a ter todos os sonhos do mundo e continuarmos homens.
Lucia Murat, cineasta.
Escrito por Sydnei Melo às 13h02
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10 é pouco...
Ato no Consu (Conselho Unversitário), ocorrido no dia 20/12, organizada pelos estudantes e funcionários da Unicamp.
Depois de um café-da-manhã bem animado, muita discussão rolou. Muito para minha surpresa, havia por volta de 50 a 60 pessoas, com o qual já foi possível fazer um bom barulho em frente a reitoria.
As reivindicações eram: Aumento das verbas para o financiamento da assistencia estudantil; homologação dos Respresentantes Discentes (RD's) eleitos pelas eleições organizadas pelos estudantes; contrução de moradias e bandeijão no Campus Limeira.
O Consu, com a posição da reitoria, que possui auditorio e se considera um espaço democrático, não permitia nossa entrada. Queriam aumentar vagas e criar novos cursos em Limeira (sem sumento das estruturas de abrigo e alimentação dos estudantes) e empossar os RD's eleitos pela eleição deles (sendo que a eleição da reitoria teve 245 votos, e a organizada pelos estudantes, 4.113, muito mais legitima).
Com apitos, musica, nariz de palhaço e palavras de ordem, exigimos a entrada dos RD's eleitos por nós na sessão. A principio, tentamos uma ocupação que não foi possível. Então, ficamos à porta impedindo a entrada da alimentação que seria servida no almoço dos conselheiros. Pacificamente, faziamos nosso protesto, quando alguns ignorantes coordenadores da segurança terceirizada da unicamp partiram para cima dos estudantes. Uma breve estupidez que logo encerrou-se. Começaram as negociações e no final de uma meia hora foi possível colocar 4 dos RD's eleitos por nós dentro da reunião do Consu. Fechamos todas as portas de acesso para que a aliemtnação não entrasse. A força dos estudantes foi recompensada com o almoço diferente: A comida que estava na perua. Afinal, desde quando no Bandejão (onde comemos normalmente) seria servido pernil, molho de champignon e arroz com uva passa? Só pra reitoria mesmo...
Às 4 horas da tarde, com um esvaziamento considerável, o ato foi encerrado. Deixamos marcado nessa data vergonhos para ser marcada um Consu (20 de dezembro, em plenas férias) a nossa opinião e nossa mensagem de que não desistiremos de lutar por uma universidade de qualidade, onde todos tenham acesso, tenham como se manter nela, tenham alimentação e moradias adequadas e onde os funcionários tenham salários dignos.
Volto para Ribeirão com a consciência do dever cumprido, pronto para aproveitar ao máximo o resto das férias com minha família, e uma linda agenda do MST.
"Ao apoiá-lo, com minhas parcas forças, participo deste protesto pequeno burgues e chaio de cnotradições e de ambiguidades, mas rico de perspectivas e que nos arranca da apatia em que se alicerça a continuidade do poder conservador" Florestan Fernandes
Escrito por Sydnei Melo às 16h08
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Começando bem a semana...
Caía nesta manhã uma chuva boa, boa... Nada que lembrasse as malditas enchentes que varreram a cidade nos ultimos meses, nada disso... Mas chuva leve, gostosa, um pouco fria... boa pra lavar a alma, pensar no que temos feito de errado, ver o que corrigir em nós, acertar o nosso equilibrio...
Chuva boa de ficar na cama, embaixo do lençol pensando "que preguiça, que preguiça..." e lembrar que não tem nada de oficial por que está em plenas férias... senti-me assim nesta manhã, sem vontade de me levantar, só de ficar na cama pensando "que preguiça, que preguiça...".
Mas mãe faz comida boa, o cheiro é irresistivel... não ha corpo que fique pra dormir...
ah, essa chuva que Deus manda pra gente pensar...
Escrito por Sydnei Melo às 11h52
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Considerações finais...
Apesar desses "probleminhas" que analisei nos dias anteriores, creio que muito me valeu a experiência nesta conferência.
Afinal, o fato de estar presente em uma conferência onde se representava todos os tipos de culturas, de práticas, de pessoas lutando por igualdade de direitos, que se esforçavam para mostrar que não eram coitadinhos, tudo isto me dexou com um ânimo ainda maior para lutar por melhor acesso a segurança, educação, aos espaços políticos, saúde, igualdade de cor na busca de empregos, pelos tratamentos com os deficientes, pelos povos indígenas, estrangeiros, etc... pelo respeito à todas as diferenças que são tão presentes no desenvolvimento historico de nosso país.
Como militante do movimento estudantil e que quer futuramente trabalhar com a questão daeducação e da participação política de adolescentes e jovens, tal conferência foi realmente estimulante e útil para minha experiência.
A todos que estiveram comigo e me apoiaram, me ensinaram, ajudaram, se divertiram junto comigo, meu muito obrigado.
Hoje não vou escrever muito. Só passo aqui para deixar aqui meus agradecimentos, e um ano de lutas por uma sociedade mais justa em nosso país, um sonho que nos estimula, nos fascina, e que jamais deixaremos de correr atrás...
Bjos a todos e um bom fim de semana.
"É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho. De observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias. Sonhos, acredite neles" Lênin
Escrito por Sydnei Melo às 10h30
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Intolerância religiosa...
Este foi o tema de um grupo temático que foi criado em cima da hora, no segundo dia da conferência. O tema era bastante interessante, até gostaria de ter participado das discussões. Mas como meu enfoque era educação e participação política (e antes, na inscrição, não havia o grupo de intolerância religiosa), fiquei só na vontade. Todos os grupos discutiam no mesmo horário. Bem, a discussão sobre intolerância religiosa deveria ser um misto das diversas crenças buscando o respeito... mas com a análise do relatório final, não foi bem o que percebi...
Um grande apoio para a construção deste grupo de discussão foi dado pelos praticantes do Candomblé, que tiveram presença forte principalmente se juntos às discussões promovidas pelo movimento negro e quilombolas. Pelo fato de haver uma predominância, as discussões já poderiam se encontrar monopolizadas, teoricamente... e na prática, o relatório foi todo um rio de privilégos...
Na plenária final, subiu a relatora do grupo. Integrante da religião Candomblé, estava toda aparamentada com apetrechos e vestimentas próprias. Não sei dizer a vocês se era uma autoridade religiosa ou coisa do gênero. Estava lá. Esperando que se promovesse o respeito às diferenças, o fortalecimento de um Estado Laico que respeita todas as crenças e promova a democracia de pensamentos, decepção. A senhora relatora falava as propostas, e entre elas alguns privilégios como duas cadeiras na Assembléia legislativa para deputados que integrassem religiões "de matrizes africanas", que o Estado apoiasse projetos voltados às manifestações das religiões de "matrizes africanas", etc... Infelizmente, não consigo me lembrar de todas as propostas, mas eram muitos privilégios...
Ao final, a senhora faz dois comentários: 1º Que era importante lembrar que só haviam duas pessoas que não eram do Candomblé na discussão: um católico e um xamanista (não tenho conhecimento dessa prática religiosa) - o que para mim representou, se não uma crítica muito forte aos praticantes de outras religiões, um colocação de coitadinhos, visto que afirmaram que as "religiões de matrizes africanas" eram as mais discrimanadas e que eles mereciam ser "repostos" por isso (com cargos políticos, privilégios estatais, etc...), e também que eram os unicos preocupados com a busca da intolerância religiosa; 2º Afirmaram como observação no final do discurso relatorial a condenação severa das críticas e deturpação das imagens das religiões "de matrizes africanas" feitas, principalmente, pelas religiões de base evangélica. Depois que ela colocou esse ponto, fiquei realmente revoltado: queriam privilégios e ainda botavam a imagem das igrejas evangélicas, generalizando-as, para apanhar. Sobre esse segundo ponto, esclareço mais coisas.
Como evangélico que sou, não posso adimitir ser críticado por algo que não fazemos. É importante lembrar que hoje todas as igrejas que não são católicas são consideradas evangélicas, ou seja, há várias denominações. É verdade, muitas igrejas "evangélicas" fazem coisas absurdas para falar mal das religiões. Aliás, nesta conferência circulou uma moção contra a Igreja Universal do Reino de Deus, que em de seus cultos televisivos teria chutado a imagem de uma santa orixá em pleno templo, ao vivo. Isso é um absurdo, e a moção é mais do que justa. Mas mais absurdo ainda é colocar quem não faz essas coisas na roda críticada.
No final, foi usado de intolerância religiosa para tentar diminuir a intolerância religiosa, e o que se percebeu foi mais o privilégio de uma religião em detrimento de outras. A príncipio, se o Estado é laico, não deve haver privilégio religioso.
Mais interesante foi um fato: um negro que estava em outro grupo de discussão, e na plenária final sentou perto de mim e de uma amiga, a Heloísa, votou contra o relatório de intolerancia religiosa, afirmando os mesmos princípios que coloquei acima. Um senhor, negro também e que havia participado do grupo de "movimento negro e quilombolas", disse pra ele: "Não gostei nada de você ter votado contra. ai me explicar depois". bom, não tenho como fazer comentários sobre isso. Mas achei um tanto dogmático.
Escrito por Sydnei Melo às 11h31
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Educação em direitos humanos...
Na verdade não era apenas isso. Na verdade, o título de meu grupo temático era "Educação em direitos humanos, educação para a democracia e participação política". No momento em que escolhia o grupo temático do qual iria participar, fiquei em duvidas, afinal eu me interesso pelos estudos sobre jovens, e havia o grupo "crianças, adolescentes e juventude", bem como outro grupo me interessava, "Educação, ciencia e cultura". Mas como estou mais voltado ao estudo da participação política de jovens e adolescentes, confesso que tive certeza ao ver o título do grupo do queal participaria.
Neste grupo estive junto com uma amiga de Ribeirão que fiz na conferência, a Natylie. Batemos altos papos para imaginar o que seria colocado, e tentar levantar fortes propostas para tentar melhorar a educação. É importante lembrar que para mim a principal discussão era como formular a educação como um direito humano, mas a discussão que realmente me atraía era sobre participação política. Neste grupo também estavam presentes várias autoridades, políticos, vereadores, ex-prefeito, advogados, etc, etc, etc... E somente eu e a Natylie de estudantes (sendo ela recém formada, e eu apenas o "moleque" da historia, no alto dos meus 18 anos). A princípio, na apresentação, todos falando o que faziam, o que exerciam em seus cargos, os movimentos e projetos que participavam, blá, blá, blá, e eu, um tanto leigo, pensando comigo: "Caramba, eu não participo de nenhum projeto social, nenhuma ong... o que eu vou colocar aqui?" Nisso, tive que agir com a maior humildade possível (e isso por quê estava como delegado). "Sou estudante de Ciências Sociais, integrante do Nucleo Taba de estudo do movimento estudantil" e enchi mais um pouco para ficar bonitinho...
Começaram as discussões: "Precisamos fortalecer ou criar os conselhos de educação e de direitos humanos", "Fortalecer os programas de cidadania nas escolas", "Como desenvolver programas de direitos humanos na educação", e por aí vão se colocando propostas, as autoriadades bastante à vontade, e eu só ouvindo... às vezes a Natylie dava uma palvra comigo, me dando umas dicas, o que significava tal coisa, etc...
Tudo ia tranquilo até a chegada de um tal de Kaiser. O cara chegou atrasado no grupo, esperou um pouquinho e soltou a seguinte proposta: "Deveríamos propor que o Estado forneça isenção fiscal às empresas que financiem programas sobre desenvolvimento de direitos humanos nas escolas publicas"... Na mesma hora, eu e a Natylie nos olhamos, e ela perguntou: "Você já entendeu o problema, né?" E eu disse: "Já..."
Mal foi a nossa surpresa ao repararmos que quse todo o grupo (com exceção de três pessoas) adorou a medida. O ex-prefeito até falou assim: "Perfeito. Otima proposta". E logo, nós discordamos. Nossa justificativa:
1º Estavamos discutindo questões relativas ao programa estadual, ou seja, ao progrma de ordem publica. Sendo assim, tinhamos que definir as diretrizes de como fazer com que o Estado pudesse oferecer esses programas, a partir de suas proprias finanças e dos proprios profissionais do Estado para a realização desses projetos. Não tinhamos que entrar no ambito privado. 2º Uma empresa privada só irá financiar projetos de direitos humanos, ou qualquer coisa relativa a projetos sociais, se isso poder promover sua propria imagem e o fortalecimento de seus lucros, reproduzindo a lógica de mercado a qual justamente ajuda a desenvolver este sistema de desigualdades entre as pessoas em nossa sociedade. Além disso, os projetos que fossem financiados por empresas sempre estariam carregados de um programa ideológico, ou seja, seus intereses sempre estariam envolvidos no ensino dos direitos humanos. Longe de querer proibir alí "as empresas de financiar programas", o que não concordavamos era com a proposta do Estado fornecer isenção fiscal para que as emrpesas fizessem isso. Seria o absurdo.
Fomos acusados de estar respondendo apenas com base ideológica, e não nos pautarmos na conreta realidade. Uma afirmação que nos deixou bastante raivosos. Então haviam exímios senhores e senhoras presentes naquele grupo que se pautavam na verdadeira realidade, como se eles não fossem capazes de perceber que essa afirmação também estava cercada por toda uma ideologia, a de manutenção de mercado. O que mais nos incomodou não foi eles afirmarem que era melhor ter isenção fiscal, etc, mas dizer que nós estávamos fora da realidade. Foi o cúmulo. Nada podia servir como argumento coerente nas propostas deles. Mais me impressionava ainda militantes de esquerda que estava no grupo defendendo a proposta capitalista.
Pois bem... ainda levantei uma questão, que foiu o cso do Veto do governador para a educação paulista. Sugeri como proposta que a conferencia se organizasse para exigir o aumento de repasse de verbas para a educação, afinal educação é um direito humano. Novamente "tomei porrada": Disseram que para colocar essa proposta eu tinha de estar no outro grupo de educação. Mas dessa vez eu tive mais apoio de outros discutidores. Chegou que no final aprovamos uma moção pedindo o aumento.
Conclusão: Eu estava lá para discutir a proposta do grupo, Educação em direitos humanos. Os caros colegas do grupo deturparam totalemtne a discussão: debateram direitos humanos em educação. Saí um tanto frustrado, e na plenaria final votei contra o relatório final feito pelo grupo.
Bom... tenho esperança de que dias e discussões melhores virão... bem como propostas melhores.
Uma observação: muitos, na hora que critiquei a primeira proposta, pegaram a pastinha da conferência e apontaram o dedo pro logo da Unip, como pra me dizer "Não fale besteiras, tem uma empresa privada apoiando essa coferência". No dia seguinte mandei uma sugestão à organização, que constava que a conferência estadual de diretiros humanos, pelo fato de ser relativo a uma discussão do caráter de uma instituição publica, fosse realizado em instalações de alguma universidade publica (Usp ou Unesp, estaduais), e não em predios ou intituições privadas.
Amanhã tem mais.
Escrito por Sydnei Melo às 10h41
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E nesse fim de semana...
Ocorreu a V conferencia estadual de direitos humanos. Agora, com tempo, posso explicar a vocês o que realmente seria do tal evento.
O Estado de São Paulo, desde 1997, possui um programa elaborado para o desenvolvimento de projetos em direitos humanos relacionados à área de educação, saúde, segurança, respeito às diferenças, cidadania, etc, etc... Bom, se isso é desde 1997, acho que o governo do Estado de São Paulo não evoluiu muito no que diz respeito aos direitos humanos... pois bem...
Nesta conferência, a princípio, mal sabia eu que seria colocado como delegado (ou seja, quem tem poder de voto na plenára que define as propostas finais da conferência). enquanto eu participava dos grupos, falava assim comigo: "Meu Deus, por quê não estou como observador?!!" A grande maioria das pessoas que participavam da conferência, além de serem mais velhas, já participavam de ongs ou entidades de luta por algum tema de direitos humanos. Estava me sentindo um pleno leigo, afinal eu era um estudante que caiu de gaiato e foi parar como delegado numa conferência em que haviam muitíssimas pessoas que já discutiam os temas há muito tempo...
Mas passou-se o tempo, um dia, dois, o terceiro... e vi que foi bom terem me colocado como delegado. Agradeço muito ao meu pai por isso, que infelizmente teve uma emergência e teve de voltar para Ribeirão, não podendo mais participar da conferência. Minha principal referência era meu pai, mas consegui me superar, e apesar dos contratempos, das discussões e das coisas interessantes que vi na conferência, ganhei um pouco mais de maturidade.
Nos próximos dias estarei comentando alguns pontos que ou me deixaram muito impressioando, ou me incomodaram muito... afinal, não é por que é uma conferência sobre direitos humanos que ela será perfeita... seria utópico demais...
Enquanto isso, descansem bastante, e tenham um bom dia...
Escrito por Sydnei Melo às 12h17
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rapidinho...
Dance Cante
Escrito por Sydnei Melo às 23h20
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Dai-me paciência
Estava tudo certinho... tudo bonitinho... copiei por segurança... abri a página de novo... enquanto ia colocar uma letra de musica que já havia sido copiada o programa travou... E isso me deixa muito p___ da vida...
Desculpe pessoas, queria finalizar legal essa semana, mas perdi a paciência. Alguem tem um pouco para me empresatar?
Para terminar animadamente, depois do "baque", desejo a todos que vivam a sua imaginação, e que não se entristeçam com coisas que podem se tornar tão criativas e alegres em suas vidas...
Vou tentar esquecer esse momento de frustração e viver um bom fim de semana.
O mundo é bão, Sebastião - Nando Reis
Por que o Sol saiu Por que seu dente caiu Por que essa flor se abriu Por que iremos viajar no verão Por que aqui o mundo não será cão
Quando o Goodzila atacar Quando essa febre baixar Quando o mamute voltar Descongelado a caminhar na Sibéria Quando invento, o mundo é feito de idéias
O mundo é bão, Sebastião O mundo é bão, Sebastião O mundo é bão, Sebastião O mundo é teu, Sebastião
Como escrever certo o seu nome Como comer se der fome Como sonhar pra quem dorme E deixa o cansaço acalmar lá em casa Como soltar o mundo inteiro com asas Tiranossauro Rex tião Dentro dos seus olhos virão Monstros imaginários ou não Por forte somos todos os infernais E agora eu vivo em paz
O mundo é bão, Sebastião O mundo é bão, Sebastião O mundo é bão, Sebastião O mundo é teu, Sebastião
O mundo é bão, o mundo é bão O mundo é bão, o mundo é bão
Escrito por Sydnei Melo às 10h16
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ora ora... encontrei um pc pela frente...
bom, deixe agora eu esclarecer o pq de neste momento estar em Sampa. Na assembléia legislativa, neste fim semana ocorrerá uma conferencia sobre direitos humanos. Obviamente eu me interesso pelo assunto.
O melhor de tudo foi saber que meu pai havia sido convidado para participar da conferencia. Obviamente, quando ele me falou, eu perguntei:
- Eu posso participar?
e ele respondeu:
-Ah... acho que sim. Talvez como observador.
E foi assim que garanti minha presença lá. Mais um pouquinho de experiencia política para minha militancia.
Bom, deixo vcs por aqui. O messenger neste momento está lotado. To conversando com a Nice, com a Sueli e com a minha mãe (é... tá pensando o que? Minha mãe tem essenger sim, ora bolas...)
bjos a todos
Escrito por Sydnei Melo às 09h12
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Incrível
Há um ano atrás eu era um vestibulando. Correndo de um lado pro outro, com livros e livros, prova e provas, viia aquele ano para os vestibulares. Era ainda um adolescente, que perdeu muito de suas horas, e conquistou o sonho de conseguir entrar numa faculdade publica... Cara, já passou um ano... se paro pra pensar, nem acredito quanta coisa mudou... mais amadurecimento, coisas novas a conhecer, muitos amigos... E ANO QUE VÊM EU SEREI VETERANO!!! Pode?!!
Hoje foi a ultima aula do semestre. Passo aqui para agradecer aos otimos professores que até agora nos guiaram, e esperando muitas surpresas e obstáculos à ultrapassar neste novo ano.
Não sei se posto mais essa semana. Estarei em Sampa até domingo, por tanto não fico na garantia. Se tiver um pc à frente, eu posto. Se não, bom final de semana a todos!!!
bjos
Escrito por Sydnei Melo às 10h24
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FINALMENTE!!
ACABEI A PROVA DE MAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARXXXXX!!
UFA!!!!
Escrito por Sydnei Melo às 18h03
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colegas, este é o texto final da minha parte do trabalho sobre infancia e tecnologia, e deixo aqui para vocês... tivemos muitas surpresas... verifiquem... bjos
obs: Os dois posts estão na ordem normal (leia a partir daqui, e não de baixo)
Foram ao todo 24 pessoas entrevistadas oficialmente, através de questionário (em Ribeirão Preto, com os alunos da escola estadual de ensino médio Otoniel Mota), presencialmente ou pelo site de relacionamentos Orkut, além de conversas informais com grupos de amigos; classificadas em classe média-alta e baixa, sendo principalmente da região Sul/Sudeste, predominantemente de vivência urbana.
Dizendo respeito às condições da infância, no qual estabelecemos a faixa de análise de 5 à 10 anos, os jovens responderam à primeira pergunta de nosso questionário levando em conta tanto o aspecto afetivo quanto o aspecto econômico. Todos que participaram das discussões afirmaram que os pais tiveram uma presença marcante em suas vidas, considerando isto um fato positivo para sua educação e cuidados quando criança. Quanto à questão econômica, houve tanto relatos de uma boa situação quanto de realidades mais difíceis economicamente, mas estas condições díspares não impediram todas as crianças de terem seus brinquedos, comprados ou não, e que todos sempre brincavam muito.
No entanto, a distinção de classes revelou notável diferença sobre a discussão da socialização e espaço das brincadeiras infantis. Aqueles que viveram sua infância pertencendo a classes mais baixas afirmaram que predominantemente brincavam com muitos amigos (com vizinhos, primos, “pessoal da rua”, etc), e fora de casa; já quem era de classes mais altas divertiam-se com poucas pessoas, e normalmente dentro de casa. Um detalhe a se discutir: Estes últimos, moradores de regiões mais nobres e com um aparato maior de segurança, alegaram que a violência era um dos principais fatores para que não saíssem do espaço residencial, mas contrastamos esse argumento com os primeiros, de localidades mais periféricas e com maiores índices de violência, mas que brincavam principalmente na rua. Coloca-se desta maneira a discussão se a violência é um fator determinante para a menor socialização e atividade fora de casa, já que, nas regiões e bairros onde há presença maior de fatos criminosos, as crianças, ontem e hoje, continuam a se divertir nas ruas, praças, etc.
As brincadeiras apontadas pelos entrevistados como favoritas apresentaram uma uniformidade, constatando-se que as brincadeiras “não-tecnológicas” ou “tradicionais” foram bastante citadas, tais como boneca, carrinho, lego, jogos de tabuleiro, bola, esconde-esconde, pega-pega, elástico, corda, taco, pipa, rolemã e “hominho”, entre outros. Porém, nesta faixa etária, brinquedos eletro-eletrônicos, como vídeo games e carrinhos de controle remoto, por exemplo, já estavam presentes na vivencia infantil da época, de acordo com os relatos. Tal fato está de acordo com o que diz LARIZZATTI (1992, pág. 46): “199(?)… as crianças entram rapidamente no mundo da ficção científica; os contos de fadas voaram para as estrelas; a varinha mágica transforma-se em raio laser; o príncipe encantado vêm de outro planeta; a floresta misteriosa, transforma-se em galáxia; as carroças em discos voadores; os soldados do rei em robôs… A TV, o vídeo e o computador entram nos sonhos dos brinquedos de muitas crianças…”
Quando analisaram as brincadeiras que ocorrem atualmente, as opiniões variaram entre o positivo e o negativo. Todos ressaltaram o fator tecnológico como predominante nas relações de brincadeiras infantis de hoje.Os pontos positivos levantados basearam-se na presença da tecnologia como algo que deixa as crianças mais “espertas”, ao lidarem com computadores, jogos de vídeo game, e outras brincadeiras, além de atualmente estarem expostos a uma quantidade muito maior de informação. Outros criticaram o que chamaram de falta de socialização e integração, e a falta de atividade física, efeitos negativos desta “modernização”. Para elas, o aumento do fluxo de informações, os jogos que simulam situações e realidades cada vez mais adultas e a influência da mídia de massa provocam nas crianças a reação de cada vez mais cedo de quererem ser “gente grande”.
Escrito por Sydnei Melo às 13h17
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É importante ressaltar que, como colocado na introdução de nosso trabalho, não vemos este fato de se formar crianças adultilizadas como um fenômeno que afirme a criança como um adulto em potencial nas suas brincadeiras. O que cremos é que a criança é um ser que procura se divertir, e brinca não para conhecer responsabilidades (o que não significa que o fenômeno não ocorra), mas simplesmente para aproveitar aquele momento de diversão (não uma criança que faz de conta como adulto para sê-lo, mas que o faz como e sendo criança). “Ao criar o brinquedo, a brincadeira, ou mesmo o jogo do seu brincar, ou atribuir novas significações aos mesmos, a criança nega as rédeas e as prisões adultas que lhe reservara. E se renova, liberando seus sentidos em todos os sentidos” (LARIZATTI, 1992, pág. 65). Se a criança, hoje, procura agir como se tivesse a maturidade de um adulto, com os hábitos de um adulto, talvez isso não seja por que ela quer ser adulta, mas por querer utilizar os instrumentos que a sociedade como se constitui hoje as oferece, mesmo que através das palavras das próprias crianças ouçamos que “elas não são crianças, mas pré-adolescentes”.
Além disso, lembra-se que – conforme será afirmado no artigo seguinte – o tempo e o desenvolvimento tecnológico oferece instrumentos diferentes para o desenvolvimento da imaginação da criança. Certos símbolos do brincar nas crianças não terão sumido, mas assumido formas distintas, continuando presente nas relações infantis. De acordo com LARIZZATTI (1992, pág. 63): “Numa visão crítica argumentamos que as brincadeiras de rua e os jogos tradicionais e populares (...), entendendo “tradicional” como passível de mudanças, ainda continuam presentes em diversas realidades infantis, em maior ou menor grau, só que as crianças incorporam a elas características da vida moderna”.
Para os entrevistados, a televisão, predominantemente, foi citada como um tipo de diversão paralelo às brincadeiras. E hoje aproveitariam para se divertir o computador, musica, sair com amigos, etc.
Escrito por Sydnei Melo às 13h13
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sobre o movimento estudantil e o evento do TABA
Ontem aconteceu no auditorio I do IFch a palestra "Mataram Vlado - reações e repercussões no movimento estudantil da Unicamp". Tempo de chuva, alguns atropelos na organização, mas nada que pudesse dar tão certo.
Foram chamadas 4 pessoas: Ferando Vaz Pupo, Inês Albuquerque, Alcides Mamizuka e Robeni da Costa. Os 4 estiveram presentes e militaram no movimento estudantil nas décadas de 60 e 70, época de explosão do regime militar, principalmente com a reforma universitária, os acordos MEC/USAID, e a famigerada instituição do AI-5. Os dois ultimos tb foram presos políticos do regime.
Muitas idéias, um relato muito interessante sobre as lutas e os eventos que foram realizados para a conscientização da luta contra o regime militar, inimigo único do movimento estudantil da época. Foram muitos os esconderijos, as fugas, o silencio que escondia o protesto, as imagens que não temos hoje pq por segurança não se podia ter. Algo que, com certeza, era muito mais assustador do que os entraves que encaramos no movimento estudantil de hoje. Havia uma ditadura a combater, um regime repressor a deter. Foram citadas experiências culturais na unicamp, lutas de resistência armada, torturas feitas pelo regime... enfim, o que na nossa mera cabecinha "geração coca-cola" não é tão fácil de se imaginar.
Nisto foram tb discutidas as repercussões da morte do jornalista Vladimir Herzog. não só esse foi o choque, como tb a morte de Alexandre Vanuchi Leme, estudante da USP. Em Campinas aconteceu na igreja do Taquaral a missa de homenagem a Vladimir Herzog, com musicas cantadas de combate ao regime militar, textos críticos distribuidos por toda a igj. Enquanto isso, a repressão cercava a igj. Foram muitos policiais em volta da igj do taquaral e o risco de haver muitas prisões de militantes políticos de Campinas e região. Enfim, nada ocorreu de mais grave.
Foram muitos apuros, que maracarão par sempre a historia do movimento estudantil da Unicamp e do Brasil. Nós, do nucleo TABA de estudo da historia do movimento estudantil, agradecemos grandemente a esse homens e mulheres que ajudam a construir a historia dos movimentos sociais e a luta por um mundo mais justo e igual para todos.

Escrito por Sydnei Melo às 10h38
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