Outros outubros virão...
O Que Foi Feito Deverá - Milton Nascimento
Se muito vale o já feito Mais vale o que será E o que foi feito é preciso Conhecer para melhor prosseguir Falo assim sem tristeza Falo por acreditar Que é cobrando o que fomos Que nós iremos crescer Outros outubros virão Outras manhãs Plenas de sol e de luz
Chapa DCE 2006 - Outros outubros virão
www.outrosoutubros.blogspot.com
Escrito por Sydnei Melo às 20h40
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Não penses que perdestes suas forças. E não deixa que te firam. Eu já estou acostumado, e cada vez mais resistente. Não fuja, nunca! Pq, realmente, as coisas não são fáceis.
Estou passando por um momento legião.... rrs
Andrea Doria - Renato Russo
Às vezes parecia que, de tanto acreditar Em tudo que achávamos tão certo, Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais: Faríamos floresta do deserto E diamantes de pedaços de vidro. Mas percebo agora Que o teu sorriso Vem diferente, Quase parecendo te ferir. Não queria te ver assim - Quero a tua força como era antes. O que tens é só teu E de nada vale fugir E não sentir mais nada. Às vezes parecia que era só improvisar E o mundo então seria um livro aberto, Até chegar o dia em que tentamos ter demais, Vendendo fácil o que não tinha preço. Eu sei - é tudo sem sentido. Quero ter alguém com quem conversar, Alguém que depois não use o que eu disse Contra mim. Nada mais vai me ferir. É que já me acostumei Com a estrada errada que eu segui E com a minha própria lei. Tenho o que ficou E tenho sorte até demais, com sei que tens também...
Escrito por Sydnei Melo às 08h42
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olá pessoas!
Queria falar um pouco sobre o meu palco, que por sinal está ficando cada vez mais resistente. Quando as pressões do publico aumentam, ou quando crescemos e nossas responsabilidades vão aumentando, esse palco vai ficando pesado, e corre o risco até de cair. Amigos, mais do que tudo eu necessito de vcs! Pq tantos espetáculos, tantas danças, tantas cenas desses teatros, essas musicas, vão mudando, ganhando mais conteudo, mais caráter de mudança, de consciência, para mudar esse mundo ou para mostrar que somos mortais cheios de sentimentos e que necessitamos dos outros para aprender e aperfeiçoar esse espetáculo tão fabuloso que acontece em cima desse palco. Eu quero que todos passem por esse show, cantem nem que seja uma musica, declamem nem que seja um mero e simples versinho... Pois o espaço está crescendo. Um carpete novo, novas cortinas, um som melhor e digitalizado, e novos grupos estão surgindo, se consruindo, para mostrarem suas mais fabulosas peças, as mais ricas letras e melodias, as estrofes mais revolucionarias desta arte, os movimentos das danças mais exóticas e magistrais...
Queridos artistas (vcs que estão, estiveram ou estarão chegando neste meu espetáculo), vcs são a expressão da realidade, da minha e de todos. Vcs são essenciais. Ajudem este espetáculo a crescer sempre, não importa onde esteja. e eu estarei fazendo de tudo para que o espetáculo de vcs seja tão maravilhoso (e merecem) quanto quero que seja o meu. Esse palco do tamanho do mundo tem muito pra crescer. Esse espetáculo grandioso tem muito pra aparecer. E eu tenho muita coisa pra fazer neste show junto com vcs!
Para quem quiser conhecer mais, não precisa ficar só no publico não. Suba o palco, e faça parte do meu show.
Sabe... estava querendo muito escrever sobre isso...
Minha apresentação
Imagine um palco... Grande... bem grande... do tamanho do mundo...
Agora veja luzes... ora se acendem... ora se apagam...
Problemas, soluções, diversões, tudo acontece...
É um espetáculo. Músicas, danças, teatro, emoções... Realidade. São milhares de pessoas à assistir. Há quem goste e vá embora, há quem fique o tempo todo, há quem vá e volte para tomar [um refrigerante...] É assim que rola a minha vida. Às vezes o palco desmonta, mas quem fica sempre ajuda a reconstruir, tornando o espetáculo cada vez mais seguro e interessante. Também é muito bom aperfeiçoar essas apresentações, conhecendo outros palcos, outros personagens, participações especiais...
É... assim vai. Ganhando ou perdendo, o show não para jamais.
O que você acha? Se lhe interessar, suba o palco...
...e faça parte do meu show!
Escrito por Sydnei Melo às 13h40
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leituras e nivers...
Hoje foi dia legal. Fugi da bitolação dos estudos (mas vou ter que voltar amanhã de qualqer jeito), dormi até as 11 da manhã (!!!!!) e fiquei ajudando minha mãe com umas planilhas do evento que ela ajudou a fazer (gráficos, pesquisa de opinião, elaialaiá) e me entreti com a leitura "o que é comnunismo?". Alás, aconselho a todos que puderem leiam os livros da coleção "primeiros passos", da ed. Brasiliense. são muito bons, e dão uma introdução bem interessante de temas um tanto complexos. To escrevendo bem pouco mesmo. E quero deixar aqui os parabéns pra minha grande amiga Nice, que completou mais um aniversário hoje!! Deus te abençoe muito e te dê muitas vitorias!!!!
Bem, deixo vcs nesse fim de semana com mais um texto... e deixem o sol entrar, pra renovar sempre as suas forças, para descobrirem o caminho, para mudarmos o mundo e esta humanidade desumana. Esperança, para tudo!! por um mundo melhor, por um amor, por uma vida... vida... vida.
Quando o sol bater na janela do teu quarto - Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá
Quando o sol bater Na janela do teu quarto Lembra e vê Que o caminho é um só.
Porque esperar se podemos começar tudo de novo Agora mesmo A humanidade é desumana Mas ainda temos chance O sol nasce pra todos Só não sabe quem não quer.
Quando o sol bater Na janela do teu quarto Lembra e vê Que o caminho é um só.
Até bem pouco tempo atrás Poderíamos mudar o mundo Quem roubou nossa coragem? Tudo é dor E toda dor vem do desejo De não sentimos dor.
Quando o sol bater Na janela do teu quarto Lembra e vê Que o caminho é um só.
Bjos, abraços e até semana que vem!
Escrito por Sydnei Melo às 00h09
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Continuando...
Pena não saberem nossos justiceiros que são poucos os que poderão comprar armas com o já aprovado Estatuto Desarmamento. Ou será que nossa população conseguirá pagar os R$ 3.000,00 necessários para o porte legal? Votar Não é votar pelo direito de uma minoria portar armas. E essa minoria não sairá às ruas para nos defender, ou sairá? Votar Não é permitir que jovens desavisados levem as armas de seus pais à escola, podendo, como ocorreu essa semana em Pirituba, SP, aniquilar com vidas que mal descobriram o calor do amor, que mal sentiram o cheiro de terra molhada. Acidentes fatais, mas não fatalistas. São resultados da mentalidade doentia da segurança na arma, do poder que ela traz. Pedimos por paz, mas não nos movemos para promovê-la. Jogamos nas mãos do Estado, já falido, uma responsabilidade que é nossa. "Quem mata é a pessoa, não a arma". Discordo. Armas são instrumentos sedutores que embriagam qualquer pessoa na alienante sensação de onipotência. Além do mais, mudar o ser humano não nos cabe. Isso é tarefa pra Deus Pai. Cabe a nós acabarmos com as malditas armas, criações nossas. Claro que traficantes e bandidos devem ser desarmados. Mas não podemos nos esquecer que eles, também, fazem parte do "nós". O maniqueísmo de bem x mal apenas aumenta a raiva, o ódio e a > intolerância. Armemo-nos, pois, de esperança, de vida e de amor. Carreguemo-nos da Vida Abundante em Cristo. Clamemos por direitos: humanos. Não quero mais sangrias decorrentes de brigas tolas de bar; não quero mais maridos violentos encerrando a vida de suas esposas; não quero mais jovens sendo mortos por embrulhos secretos levados por seus colegas; não quero mais armas legais nas mãos de bandidos; não quero mais mortos por armas de fogo! Eu também não sou bandido, nem ator da Globo. Mas voto SIM. Voto pela vida, voto pela chance, voto pelo Brasil.
"É por isso que eu tenho um medo terrível dos que portam armas. Não, não estou me referindo aos criminosos (que também me causam medo). Refiro-me àqueles a quem o Estado dá o direito de exibir e usar suas armas - ainda que o façam sob a justificativa de que é para defender a vida dos indefesos. Não acredito. Porque uma arma é objeto enfeitiçado, e não é possível usá-la sem que sentimentos de onipotência nos subam à cabeça...A arma é emissária da morte, e não é possível tê-la à mão sem que a morte seja adorada. O poder para matar nos torna divinos....E é esta a promessa que a Morte sempre faz: 'Sereis como os deuses, com poder sobre a Vida e a Morte...'" Rubem Alves
Escrito por Sydnei Melo às 23h09
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Eu decidi meu voto. E coloco esse interessante texto de um favorável ao desarmamento.
"Eu Voto SIM. Por quê?
Li hoje: "Não sou bandido, nem ator da Globo, por isso voto Não." Interessante colocação. Aliás, como todos os argumentos da Frente do Não, coloca em xeque a legitimidade do SIM por estar esta "associada" aos traficantes ou aos atores da Globo, encabrestados por ordem da Família Marinho. Esses mesmos alguns acham que a emissora vai instalar uma fábrica clandestina de armas no Brasil, que o Lula instaurará um sistema totalitário, que os bandidos descerão dos morros com suas bazucas atômicas para matar os indefesos cidadãos de bem; não me assustaria muito se acreditassem, também, que a Xuxa é uma ET, que Madre Teresa era Elvis disfarçado e que José Dirceu é honesto. Esses argumentos estapafúrdios são baseados no frenesi do terrorismo psicológico que pressiona, espreme e confunde nossa já perdida classe média. Alega-se o direito à arma, o direito à legítima defesa. Alega-se que bandidos não serão desarmados e que nossas filhinhas, branquinhas, castas e religiosas serão estupradas pelos favelados. Afirma-se que eles, de lá, matam nós, daqui. Enfim, cria-se uma realidade tão absurdamente racista e preconceituosa, excludente e elitista, comparada à criada nos EUA na década de 50 (em que os brancos afirmavam superioridade pela cor, devendo os negros apodrecerem sob o sol escaldante do sul, e padecerem sob as balas dos aristocratas), ou ao sistema de apartheid da África do Sul. Eles, os bandidos, pretos e
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marginais, matam os cidadãos de bem, nós, classe média e elite. É engraçado como funciona a manipulação de nossos inalienáveis seres pensantes. Enquanto a guerra do tráfico decapitava, queimava e despedaçava homens e mulheres nas favelas, e somente lá, não havia santo que clamasse por pena de morte, redução de maioridade penal ou armas como defesa. Mas foi essa bolha de violência explodir e respingar nos condomínios e nas casas de luxo que nossos "formadores de opinião" começaram a clamar por justiça. Vã justiça.
Continua...
Escrito por Sydnei Melo às 23h07
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e o movimento estudantil...
Hoje nós fomos pra Limeira. Mais exatamente no CESET (Centro superior de educação tecnológica), que é ligado à Unicamp. Lá esta acontecendo o MARTE (Mostra de Arte), e o nucleo TABA foi convidado pra apresentar uma oficina. Fomos falar sobre movimento estudantil (ME) nas ultimas 4 decadas.
Como estes estudo que temos feito no nucleo nos fazem pensar tanto sobre a realidade dos movimentos sociais e a força que eles tem ou não no contexto nacional. Principalmente no que se fala do ME. Como me indigna saber que estamos tão mortos perante os problemas sociais, como fomos tomados pela idologia do crescimento total, esquecendo de toda realidade sórdida que se desenvolve a nossa volta. Um ME que tem que crescer e se fortalecer, como foi visto na década de 60, quando haviam grandes passeatas de estudantes nas ruas de nosso país, lutando contra o imperialismo estadunidense, contra a reforma universitária de 68 que iniciou o processo de mercantilização das instituições de ensino, a tomada da educação pronta a ensinar que o Brasil vivia seu período mais próspero, com mais desenvolvimento (Milagre economico)e um tri-campeonato... Um movimento estudantil que realmente foi pras ruas, tinha o ideal da transformação. Congressos da Une destituidos, estudantes presos, torturados, mortos (Como Edson Luis, Alexandre Vanucchi Leme), a passeata dos Cem mil no Rio de Janeiro... e depois tanta coisa em nosso movimento foi minada, o ME começou a perder suas bases, seus objetivos, começou a voltar-se a características tão peculiares...
Eu quero força. Quero um ME fortalecido, um ME que volte a realizar suas grandes conquistas, brigando contra o ensino mercantilizado e que não desenvolve o raciocínio sobre a realidade. Não concordo e não consigo conceber que uma universidade publica, pautada no ensino, na pesquisa (estas que deviam fornecer o conhecimento de maneira a isto fluir na sociedade, e não apenas pra empresas PRIVADAS aproveitarem um espaço PÚBLICO para realizarem seus interesses) e na extensão (o ponto que representa o principal vinculo da sociedade com a universidade, e que é desvalorizado ou usado como fonte de renda pelas reitorias), esteja tão longe de entender e se preocupar em transformar a sociedade com o conhecimento que gera. Está longe, muito longe. E precisamos lutar para que a universidade publica seja PUBLICA, e não restrita a uns pouquinhos... O ME conseguiu conquistas recentes: espaços de extensão, moradia, o impeachment de Collor... e mostrou-se que está presente nas campanhas contra o veto de Geraldo Alckmin. Façamos crescer a força do movimento, por uma educação de qualidade e por uma sociedade mais justa, na qual os trabalhadores tenham seus direitos respeitados, para que os jovens das periferias tenham acesso a uma educação de qualidade, para todo o povo que batalha e sofre nesse sistema economico abusrdo e desigual tenha direito a saude, comida, segurança... ao bom futuro. Pois não adianta só ter esperança. É preciso agir pelo futuro...
Pela educação!!
"Se a educação não muda o mundo, tampouco sem ela o mundo se transforma" Paulo Freire
Escrito por Sydnei Melo às 20h57
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Hoje foi dia de relembrar bons momentos. Um colega meu que faz ciências sociais, Tiago Aoki, estava comigo no bandejão, e em uma conversa sobre política (nada mais normal para nós), o qual também se encontrava o Sr. Fábio Accardo, o caro amigo de nome japonês soltou quatro palavrinhas: "ser gauche na vida". Poxa, imagine eu, Sydnei, que há dois anos atrás fiz uma peça chamada "Caminhos do gauche", que falava sobre a vida de Carlos Drummond de Andrade, e na qual eu tive a honra de interpretar o proprio poeta, como me senti... imaginou? pois é... senti falta, muita falta daquela época do teatro no ensino médio, o qual foi uma experiência maravilhosa e que nunca quis parar. Além desta peça, na qual continha um grande e belo elenco (e nela encontrava-se Veronica, Rafaela, Gabrielas, Bruna, Ivo, Rodrigo, Vanessa, Fabiana, Maria Claudia, Milca, Karina, Fernanda, entre outros que me perdoem não vou lembrar agora), também fiz outras duas: "Dom Chicote Mula Manca e seu fiel companheiro Zé Chupança" (Hermes, você era o cara!! Zé, Sheila, Paula, Daniel, Andrés...) e "Auto da Barca do Inferno" (Eu fiz o diabo nessa peça junto com a Veronica! Nice - linda, que saudade de ti e do seu parvo -, Amilcar - o sumido -, Jonas e mas a galera que já foi citada acima)... Sempre com apoio dos queridos "veteranos" que nos dava maior força (Daniel - o Drummond original -, Debora, Taís, Larissa - que vejo sempre aqui no IFCH -, e minha memoria está começando a falhar ) e os nossos "bixos" que fizeram muita festa no teatro também ( Leticia, Dedê, Flora, Marcilio, Guilherme, Rodrigo, e vai ). Colegas, que saudade que deu de vocês agora!!! Que vontade de fazer teatro de novo!!!!!
Abraços a todos vcs, ao querido Dartan e a todos que curtem uma dessa artes maravilhosas, magnificas, extraordinarias, realmente espetaculares...
E pra terminar, um trecho da peça "Caminhos do gauche"
Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo. Minha mãe ficava sentada cosendo. Meu irmão pequeno dormia. Eu sozinho menino entre mangueiras lia a história de Robinson Crusoé, comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu chamava para o café. Café preto que nem a preta velha café gostoso café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo olhando para mim: - Psiu... Não acorde o menino. Para o berço onde pousou um mosquito. E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu pai campeava no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
Carlos Drummond de Andrade
Escrito por Sydnei Melo às 13h23
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Hoje vou deixar um texto do Jabor para vcs. Homens... cuidado... Vivam na realidade. Mulheres... nós amamos vcs!! Não queiram sair da realidade.
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A política está tão repulsiva que vou falar de sexo.
Outro dia, a Adriane Galisteu deu uma entrevista dizendo que os homens não querem namorar as mulheres que são símbolos sexuais. É isto mesmo. Quem ousa namorar a Feiticeira ou a Tiazinha? As mulheres não são mais para amar; nem para comer. São para "ver". Que nos prometem elas,com suas formas perfeitas por anabolizantes e silicones? Prometem-nos um prazer impossível, um orgasmo metafísico, para o qual os homens não estão preparados... As mulheres dançam frenéticas na TV, com bundas cada vez mais malhadas, com seios imensos, girando em cima de garrafas, enquanto os pênis-espectadores se sentem apavorados e murchos diante de tanta gostosura. Os machos estão com medo das "mulheres-liqüidificador".
O modelo da mulher de hoje, que nossas filhas almejam ser, é a prostituta transcendental, a mulher-robô, a "valentina", a "barbarela", a máquina-de-prazer sem alma, turbinas de amor com um hiperatômico tesão. Que parceiros estão sendo criados para estas pós-mulheres? Não os há.
Os "malhados", os "turbinados" geralmente são bofes-gay, filhos do mesmo narcisismo de mercado que as criou. Ou, então, reprodutores como o Szafir, para o Robô-Xuxa. A atual "revolução da vulgaridade", regada a pagode, parece "libertar" as mulheres. Ilusão a toa. A "libertação da mulher" numa sociedade escravista como a nossa deu nisso: super-objetos.
Se pensando livres, mas aprisionadas numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de amor e dinheiro. São escravas aparentemente alforriadas numa grande senzala sem grades. Mas, diante delas, o homem normal tem medo. Elas são areia demais para qualquer caminhão. Por outro lado, o sistema que as criou enfraquece os homens que rabalham mais e ganham menos, tem medo de perder o emprego, vivem nervosos e fragilizados com seus pintinhos trêmulos, decadentes, a meia-bomba, ejaculando precocemente, puxando o sacos, lambendo botas,engolindo sapos, sem o antigo harme "jamesbondiano" dos anos 60.
Não há mais o grande "conquistador". Temos apenas os "fazendeiros de bundas" como o Huck, enquanto a maioria virou uma multidão de voyeurs, babando por deusas impossíveis. Ah, que saudades dos tempos das bundinhas e peitinhos" normais" e "disponíveis"... Pois bem. Com certeza a televisão tem criado "sonhos de consumo" descritos tão bem pela língua ferrenha do Jabor. Mas ainda existem mulheres de verdade. Mulheres que sabem valorizar o que tem "dentro de casa". E, acima de tudo, mulheres com quem se possa discutir uma música do Paulinho Moska ou de Ravel sem medo de parecer um "tio" ou "aquele cara metido a intelectual". Mulheres que sabem valorizar uma simples atitude, rara nos homens de hoje, como abrir a porta do carro para elas. Cartas (ou e- mails) românticos. Escutar no som do carro aquela fitinha velha dos Carpenters ou o Cd dos Carpenters (Kenny G já chega a ser meio breguinha... mas é bom !!), namorar escutando estas musiquinhas tranquilas. Penso que hoje, num encontro de um "Turbinado" com uma "Saradona" papo deve ser do tipo "meu professor falou que posso disputar o Iron Man que vou ganhar fácil". "Ah querido ... o meu personal Trainner disse que estou com os glúteos bem em forma e que nem vou precisar de plástica".
Para bom entendedor ... meia. E a música ?? Se não for o "último" "sucesso (????)" dos Travessos ou Chama-Chuva ... é BONDE DO TIGRÃO
Mulheres do meu Brasil Varonil!!! Não deixe que criem estereótipos!! Não comprem o cinto de modelar da Feiticeira. A mulher brasileira é linda por natureza !! Silicone é para as americanas que não possuem a felicidade de ter um corpo esculpido por Deus e bonito por natureza. E se os seus namorados pedirem para vocês ficarem igual a feiticeira, fiquem ... a Feiticeira dos seriados de Tv. Façam-os sumirem !!!
Arnaldo Jabor
Escrito por Sydnei Melo às 10h11
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Ontem escrevi algumas opiniões sobre a famigerada posição consevadora daqueles que estarão votando NÃO no referendo de 23 de outubro. Hoje quero escrever um pouco sobre a outra ala dessa escolha...
As alas ultra-esquerdistas apoiam o NÃO. Que engraçado, mas não é a esquerda que apoia a campanha do SIM? Não toda. Existe um consenso muito forte neste grupo de extrema-esquerda, a de que o Estado não quer promover medidas para impedir o numero de mortes ou tentar fazer algum trabalho de fortalecimento da segurança. Antes de tudo (antes mesmo do trabalhador ter o direito de se defender da criminalidade), eles respondem NÃO por julgarem que o Estado está tomando para si o monopólio da repressão e da violência ao povo brasileiro. Ou seja, se formos desarmados não teremos como nos revoltar ao provavel golpe direitista que começa a se delinear neste país.
Realmente, eu não tenho muito o que dizer. Só posso achar essa opinião um tanto "boiada" pro meu gosto. Pq o Estado brasileiro realizaria um golpe de direita? Por mais que vivamos um governo que ainda responde neoliberamente ao nosso país, haveria necessidade de criar um golpe de direita? A democracia conservadora que vivemos desde a década de 90 não precisa de um golpe ou uma ditadura pra continuar mantendo seus poderes. E se queremos uma democracia de verdade, pq não usar como instrumento pra chegar a ela a que temos hoje, por mais que ela esteja falha? Será que precisamos de armas? Será que é possível fazer a revolução com uma pistolinha ou outra arma de pequeno porte?
Se querem fazer a revolução, pelo amor de Deus façam direito!!! Com as arminhas que serão proibidas de vender vcs não conseguiriam fazer nada, e correriam menos riscos de terem seus militantes mortos ou acidentados por conta de uma arma. O povão com armas não é nada contra a repressão do Estado com suas armas inteligentes e super calibradas. Sem viajem, sem viajem...
Vou colocar aqui um trecho de um texto de um revolucionário que li no site midia independente (www.midiaindependente.org), que é a favor do SIM. Pelo menos para um revolucionário, achei um tanto coerente.
Sobre o Plebiscito do Desarmamento
"(...)vivemos um momento de grande estagnação (para não dizer descenso dos movimentos revolucionários, apesar de a América Latina dar mostras de viragens no quadro político) onde não é plausível imaginar que dentro de poucos anos estaremos vivendo um momento revolucionário de luta armada entre burguesia e proletariado, visto que se as condições objetivas de exploração do capitalismo abundam de forma inigualável na história do país, as condições subjetivas são decepcionantes (...) Qual é o quadro que vemos hoje? As armas estão matando a burguesia? Quem são e onde estão as pessoas que estão sendo exterminadas pelo processo de violência estrutural pelo qual passamos? Infelizmente, camaradas, é a juventude pobre e negra dos morros que está morrendo, a juventude que foi ganha para o tráfico de drogas porque nós ainda não adquirimos condições de ganha-la para a Revolução, para o Socialismo. São os trabalhadores rurais sem-terra, que estão sendo assassinados pelos latifundiários que estão armados até aos dentes também. Aliás, quando percebi que do lado do “ sim” estavam o MST, o PCdoB, enfim, partidos e movimentos de esquerda, com perspectivas revolucionárias e, do lado do “não”, Jair Bolsonaro, Antônio Fleury Filho, Roberto Jéferson e agora a famosa Revista Veja, pasquim da ultradireita brasileira, comecei a desconfiar que eu é que não estava conseguindo fazer uma avaliação concreta da nossa realidade (...) Outra questão que quero trazer para vocês é de que, na era das armas inteligentes, das armas atômicas, enfim, não será portando revólveres de 06 balas ou garruchinhas que vamos botar as velhas oligarquias e burguesias para correr, quando elas possuem armamentos sofisticados e de alto poder destrutivo (...) Em uma época onde o capitalismo sofreu uma mutação considerável, financeirizando-se e assumindo uma estratégia de destruição dos Estados nacionais, a luta pela fortificação do Brasil enquanto nação soberana e desenvolvida, como ocorre com a China, é uma luta revolucionária, de caráter anticapitalista em sua nova fase financeirizada. Portanto, não se trata de fortalecer o capitalismo, mas de compreender que para a consolidação o socialismo também se faz necessário fortalecer o sistema produtivo. Este, existe tanto no capitalismo quanto no socialismo, com a diferença que, enquanto no primeiro, a produção está a serviço da obtenção de lucros para o capitalista, no socialismo ela está subordinada à satisfação das necessidades do povo (...) Nesta perspectiva, não serão meia dúzia de armas de pequeno potencial ofensivo, que estão matando jovens que poderiam estar conosco e trabalhadores rurais sem-terra, que nos ajudarão neste processo de ruptura. Acredito, reafirmo, que a burguesia nacional associada do imperialismo irá lutar, e lutar violentamente, para manter o seu poder de testas-de-ferro dos verdadeiros detentores do poder, a burguesia financeira estadunidense. E nós teremos que defender a Revolução e esta defesa também será violenta. O caso recente da Venezuela confirma esta regra. Mas também é certo que precisamos acumular forças para este processo. E não será com Bolsonaro, Fleury e Jéferson que estaremos rumando o caminho certo (...)"
Meus caros, se querem fazer revolução, não é agora que vcs vão conseguir. E na boa, estou longe de acreditar em revolução armada. Acredito em revolução de idéias, acredito em revolução através dos mecanismos políticos eleitorais, e que se conseguirmos alcançar o poder, seremos capazes de enfrentar os grandes interesses e construir uma sociedade mais igualitaria. Sem armas, meus caros, sem armas... Acredito na construção no qual a educação deve ter papel fundamental para a foramação da consciência da massa ( e realmente acho que essa é a melhor alternativa para a costrução de novas forças anti-conservadoras).
Escrito por Sydnei Melo às 08h54
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Hoje quero expor algumas idéias sobre um tema polêmico: o plebiscito sobre as armas. Antes de tudo, quero deixar claro que ainda não tenho posição definida sobre o assunto, por mais que eu tenha uma tendência a votar no SIM. E na verdade, eu vou ter mais crítcas ao NÃO do que ao SIM. Depois quero ver comentários. Acho essa discussão muito interessante.
A campanha do NÃO me lembra muito a campanha da direita PSDB/PFL desse país. Terrorismo propagandístico. As propagandas do referendo feitas pelo NÃO tem um probleminha sério, pois não é raro colocarem dados sem fontes, imagens ou notícias manipuladas, etc, etc, etc... a ultima foi a advertência da justiça eleitoral ao SIM que eles louvaram ao extremo. O fato: A justiça eleitoral advertiu a frente do SIM por estar veiculando afirmações inverídicas sobre que poderá comprar munição se continuar com porte de arma. É lógico que o NÃO não irá dar a resposta correta, afinal vale muito mais uma campanha do que a verdade correta pro povo. As respostas a tal pergunta (quem tem porte continuará comprando munição?) estão no artigo sexto do estatuto de desarmamento:
DO PORTE
Art. 6º É proibido o porte de arma de fogo em todo o território nacional, salvo para os casos previstos em legislação própria e para: I - os integrantes das Forças Armadas; II - os integrantes de órgãos referidos nos incisos do caput do art. 144 da Constituição Federal; III - os integrantes das guardas municipais das capitais dos Estados e dos Municípios com mais de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, nas condições estabelecidas no regulamento desta Lei; IV - os integrantes das guardas municipais dos Municípios com mais de 250.000 (duzentos e cinqüenta mil) e menos de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, quando em serviço; V - os agentes operacionais da Agência Brasileira de Inteligência e os agentes do Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República; VI - os integrantes dos órgãos policiais referidos no art. 51, IV, e no art. 52, XIII, da Constituição Federal; VII - os integrantes do quadro efetivo dos agentes e guardas prisionais, os integrantes das escoltas de presos e as guardas portuárias; VIII - as empresas de segurança privada e de transporte de valores constituídas, nos termos desta Lei; IX - para os integrantes das entidades de desporto legalmente constituídas, cujas atividades esportivas demandem o uso de armas de fogo, na forma do regulamento desta Lei, observando-se, no que couber, a legislação ambiental. § 1º As pessoas previstas nos incisos I, II, III, V e VI deste artigo terão direito de portar arma de fogo fornecida pela respectiva corporação ou instituição, mesmo fora de serviço, na forma do regulamento, aplicando-se nos casos de armas de fogo de propriedade particular os dispositivos do regulamento desta Lei. § 2º A autorização para o porte de arma de fogo dos integrantes das instituições descritas nos incisos V, VI e VII está condicionada à comprovação do requisito a que se refere o inciso III do art. 4º, nas condições estabelecidas no regulamento desta Lei. § 3º A autorização para o porte de arma de fogo das guardas municipais está condicionada à formação funcional de seus integrantes em estabelecimentos de ensino de atividade policial, à existência de mecanismos de fiscalização e de controle interno, nas condições estabelecidas no regulamento desta Lei. § 4º Os integrantes das Forças Armadas, das polícias federais e estaduais e do Distrito Federal, bem como os militares dos Estados e do Distrito Federal, ao exercerem o direito descrito no art. 4º, ficam dispensados do cumprimento do disposto nos incisos I, II e III do mesmo artigo, na forma do regulamento desta Lei. § 5º Aos residentes em áreas rurais, que comprovem depender do emprego de arma de fogo para prover sua subsistência alimentar familiar, será autorizado, na forma prevista no regulamento desta Lei, o porte de arma de fogo na categoria "caçador".
http://www.tre-sp.gov.br/referendo/estatuto.htm
Aliás, quero pedir a todos os votantes que leiam o estatuto do desarmamento antes de sairem falando besteiras a favor ou contra, como já tenho ouvido muitas por aí.
Voltando a discussão, também tenho recebido aqueles folderes, de tipica propaganda estadunidense, dizendo pra vc votar no NÃO. Coisas do tipo "nenhuma das mulheres atacadas pelo maniaco do parque tinham armas. Se tivessem seria diferente?" ou " Meu vizinho não tem armas. Fique a vontade para assaltá-lo pq eu não vou defendê-lo", como se ter uma arma em casa fosse uma plena garatia de defesa. "Nos EUA, a posse de armas em casa é liberada. Mesmo assim, a chance de morrer em um assalto é dez vezes maior do que a de matar o bandido. Pesquisa realizada no Rio pelo Iser mostra que a chance de morrer numa reação armada a roubo é 180 vezes maior do que de morrer quando não há reação (...) A taxa de mortes por acidentes com armas de fogo no país é de 0,18 por 100 mil habitantes, segundo pesquisa da Unesco. Isso significa que 32 pessoas, principalmente crianças, morrem por acidentes com armas no Brasil por ano" (http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT1045380-1664-9,00.html) Não há sentido de falar em defesa se as pessoas não são capazes de se defender com armas. Caro colega, acha que o bandido tem medo de vc? Nem um pouco. Aliás, duvido que vc sairia correndo para defender o seu vizinho. Vc não é o Stalonne, meu caro... aliás, mulher, vc anda com armas? Vc prefere uma arma a uma camisinha? (outro folder que recebi tinha essa pergunta) Duvido que vc sairia com armas na mão para se defender de um estupro.
Outra discussão: a questão do direito democrático de ter armas ou não. Esse é até um argumento interessante. Mas me vem na cabeça uma pergunta: o que vale mais, o direito a arma ou o direito a vida? A campanha da proibição de venda de armas e munição (que fique claro, ESSA é a pergunta do referendo) está longe de discutir violência, na minha opinião. Creio que hoje há um senso comum infeliz e tão forte, que pensa que o plebiscito será sobre o desarmamento, e não sobre a proibição da venda. O Estatuto já está posto. O que está em jogo não é a diminuição da violência, mas a diminuição das mortes. "Uma pesquisa do Ministério da Saúde aponta que o índice nacional de mortes por armas de fogo caiu 8,2% no ano passado, na comparação com 2003. Isso representa 3.234 vidas poupadas. O ministério afirma que esta é a primeira vez em 13 anos que cai o número de mortos por armas de fogo no país(...) De acordo com a pesquisa, divulgada nesta sexta-feira, foram 39.325 mortes em 2003, contra 36.091 no ano passado, quando o governo federal iniciou a campanha. A redução foi verificada em 18 Estados" (http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u112645.shtml). Penso, creio que com a proibição da venda e com esse senso comum erroneo deve aumentar os assaltos a residência (se alguem achar que outro tipo de violencia aumenta, por favor prove). Aliás, se eu pensasse com esse senso comum, teria outra coisa a questionar: 3,5% das residencias brasileiras não possuem armas. Se a população já está desarmada, qual é a legitimidade da campanha "pela legítima defesa"? Por conta de um provavel aumento da violência e por conta deste errado senso comum é que fico em duvida em qual das opções eu votarei. Mas defendo plenamente a campanha do desarmamento e o desenvolvimento de uma cultura de paz em nosso país.
E aí, deixo a pergunta: o que vale mais, a defesa ou a vida? Vale a pena correr riscos tentando reagir a um assalto?
Este texto foi sobre o NÃO dos reacionários. Amanhã escrevo sobre o NÃO dos revolucionários.
Escrito por Sydnei Melo às 09h31
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Vou colocar hoje um texto bem engraçado, do querido Luiz Fernando Veríssimo, que eu conheci quando discutiamos no ifch a montagem de uma peça de teatro. Estavamos fazendo a leitura desse texto. Também o faço em homenagem a minha amiguinha Renata, a qual fez uma leitura que me fez chorar de rir... =D
bons risos!
Clic
Luis Fernando Verissimo
Cidadão se descuidou e roubaram seu celular. Como era um executivo e não sabia mais viver sem celular, ficou furioso. Deu parte do roubo, depois teve uma idéia. Ligou para o número do telefone. Atendeu uma mulher.
— Aloa.
— Quem fala?
— Com quem quer falar?
— O dono desse telefone.
— Ele não pode atender.
— Quer chamá-lo, por favor?
— Ele esta no banheiro. Eu posso anotar o recado?
— Bate na porta e chama esse vagabundo agora.
Clic. A mulher desligou. O cidadão controlou-se. Ligou de novo.
— Aloa.
— Escute. Desculpe o jeito que eu falei antes. Eu preciso falar com ele, viu? É urgente.
— Ele já vai sair do banheiro.
— Você é a...
— Uma amiga.
— Como é seu nome?
— Quem quer saber?
O cidadão inventou um nome.
— Taborda. (Por que Taborda, meu Deus?) Sou primo dele.
— Primo do Amleto?
Amleto. O safado já tinha um nome.
— É. De Quaraí.
— Eu não sabia que o Amleto tinha um primo de Quaraí.
— Pois é.
— Carol.
— Hein?
— Meu nome. É Carol.
— Ah. Vocês são...
— Não, não. Nos conhecemos há pouco.
— Escute Carol. Eu trouxe uma encomenda para o Amleto. De Quaraí. Uma pessegada, mas não me lembro do endereço.
— Eu também não sei o endereço dele.
— Mas vocês...
— Nós estamos num motel. Este telefone é celular.
— Ah.
— Vem cá. Como você sabia o número do telefone dele? Ele recém-comprou.
— Ele disse que comprou?
— Por que?
O cidadão não se conteve.
— Porque ele não comprou, não. Ele roubou. Está entendendo? Roubou. De mim!
— Não acredito.
— Ah, não acredita? Então pergunta pra ele. Bate na porta do banheiro e pergunta.
— O Amleto não roubaria um telefone do próprio primo.
E Carol desligou de novo.
O cidadão deixou passar um tempo, enquanto se recuperava. Depois ligou.
— Aloa.
— Carol, é o Tobias.
— Quem?
— O Taborda. Por favor, chame o Amleto.
— Ele continua no banheiro.
— Em que motel vocês estão?
— Por que?
— Carol, você parece ser uma boa moça. Eu sei que você gosta do Amleto...
— Recém nos conhecemos.
— Mas você simpatizou. Estou certo? Você não quer acreditar que ele seja um ladrão. Mas ele é, Carol. Enfrente a realidade. O Amleto pode Ter muitas qualidades, sei lá. Há quanto tempo vocês saem juntos?
— Esta é a primeira vez.
— Vocês nunca tinham se visto antes?
— Já, já. Mas, assim, só conversa.
— E você nem sabe o endereço dele, Carol. Na verdade você não sabe nada sobre ele. Não sabia que ele é de Quaraí.
— Pensei que fosse goiano.
— Ai esta, Carol. Isso diz tudo. Um cara que se faz passar por goiano...
— Não, não. Eu é que pensei.
— Carol, ele ainda está no banheiro?
— Está.
— Então sai daí, Carol. Pegue as suas coisas e saia. Esse negocio pode acabar mal. Você pode ser envolvida. — Saia daí enquanto é tempo, Carol!
— Mas...
— Eu sei. Você não precisa dizer. Eu sei. Você não quer acabar a amizade. Vocês se dão bem, ele é muito legal. Mas ele é um ladrão, Carol. Um bandido. Quem rouba celular é capaz de tudo. Sua vida corre perigo.
— Ele esta saindo do banheiro.
— Corra, Carol! Leve o telefone e corra! Daqui a pouco eu ligo para saber onde você está.
Clic.
Dez minutos depois, o cidadão liga de novo.
— Aloa.
— Carol, onde você está?
— O Amleto está aqui do meu lado e pediu para lhe dizer uma coisa.
— Carol, eu...
— Nós conversamos e ele quer pedir desculpas a você. Diz que vai devolver o telefone, que foi só brincadeira. Jurou que não vai fazer mais isso.
O cidadão engoliu a raiva. Depois de alguns segundos falou:
— Como ele vai devolver o telefone?
— Domingo, no almoço da tia Eloá. Diz que encontra você lá.
— Carol, não...
Mas Carol já tinha desligado.
O cidadão precisou de mais cinco minutos para se recompor. Depois ligou outra vez.
—Aloa.
Pelo ruído o cidadão deduziu que ela estava dentro de um carro em movimento.
— Carol, é o Torquatro.
— Quem?
— Não interessa! Escute aqui. Você está sendo cúmplice de um crime. Esse telefone que você tem na mão, esta me entendendo? Esse telefone que agora tem suas impressões digitais. É meu! Esse salafrário roubou meu celular!
— Mas ele disse que vai devolver na...
— Não existe Tia Eloá nenhuma! Eu não sou primo dele. Nem conheço esse cafajeste. Ele esta mentindo para você, Carol.
— Então você também mentiu!
— Carol...
Clic.
Cinco minutos depois, quando o cidadão se ergueu do chão, onde estivera mordendo o carpete, e ligou de novo, ouviu um "Alô" de homem.
— Amleto?
— Primo! Muito bem. Você conseguiu, viu? A Carol acaba de descer do carro.
— Olha aqui, seu...
— Você já tinha liquidado com o nosso programa no motel, o maior clima e você estragou, e agora acabou com tudo. Ela está desiludida com todos os homens, para sempre. Mandou parar o carro e desceu. Em plena Cavalhada. Parabéns primo. Você venceu. Quer saber como ela era?
— Só quero meu telefone.
— Morena clara. Olhos verdes. Não resistiu ao meu celular. Se não fosse o celular, ela não teria topado o programa. E se não fosse o celular, nós ainda estaríamos no motel. Como é que chama isso mesmo? Ironia do destino?
— Quero meu celular de volta!
— Certo, certo. Seu celular. Você tem que fechar negócios, impressionar clientes, enganar trouxas. Só o que eu queria era a Carol...
— Ladrão
— Executivo
— Devolve meu...
Clic.
Cinco minutos mais tarde. Cidadão liga de novo. Telefone toca várias vezes. Atende uma voz diferente.
— Ahn?
— Quem fala?
— É o Trola.
— Como você conseguiu esse telefone?
— Sei lá. Alguém jogou pela janela de um carro. Quase me acertou.
— Onde você está?
— Como eu estou? Bem, bem. Catando meus papéis, sabe como é. Mas eu já fui de circo. É. Capitão Trovar. Andei até pelo Paraguai.
— Não quero saber de sua vida. Estou pagando uma recompensa por este telefone. Me diga onde você está que eu vou buscar.
— Bem. Fora a Dalvinha, tudo bem. Sabe como é mulher. Quando nos vê por baixo, aproveita. Ontem mesmo...
— Onde você está? Eu quero saber onde!
— Aqui mesmo, embaixo do viaduto. De noitinha. Ela chegou com o índio e o Marvão, os três com a cara cheia, e...
Extraído do livro "As Mentiras que os Homens Contam", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2000, pág. 41.
Escrito por Sydnei Melo às 12h25
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Caros colegas, bom dia, boa tarde e boa noite.
Algumas novidades: Antes de tudo, um salve ao BERECÃO!!!!!! Que conseguiu um importante empate na sexta feira, em meio a chuva de relampagos, trovões e mais um monte de luz que Deus mandava junto com o baita toró que caiu naquela tarde. Aquele jogo apertado me custou uma bela mancha na bermuda. Um lance sensacional: havia entrado (eu sou goleiro reserva), e o cara do rapatacho fez um cruzamento que ia direto no pé do atacante que tava dentro da área. Não sei o que me deu na cabeça: quando vi já estava me jogando pra dar um tapa na bola e tirar do pé do atacante. Nunca comi tanto barro na minha vida, mas foi emocionante, emocionante, galera!!!!!! quarta feira é o tupinambás!!!
Já no sabado foi dia de prova. É... o professor da as perguntads e a gente faz a prova em casa... depois de uma tarde inteira fazendo o troço, explicando a noção de fortuna e virtù, e sobre a construção do Estado civil pelo contrato, precisava fazer alguma coisa. Saí com a minha bike, por essa vida (em Barão Geraldo), e fui passando na casa dos colegas pra ver se queriam dar uma volta... uma viaja... outro não atende... aquela tá em outro compromisso... e eu esqueci o numero da casa da ultima... frente a esta situação, saí sem rumo a andar por Barão até cansar... mas foi bom pra arejar a cabeça... mas da próxima vez quero alguém me acompanhando!!!
Por fim, a professora de antropologia pediu um texto pra amanhã que não possui tradução em português!! to tendo que ler o negócio em espanhol... tá, podia ser pior, mas mesmo assim fico parando toda hora pra procurar uma palavrinha no dicionário... Aliás.. eu tinha que estar terminando de ler esse texto... portanto peço licença, pois tenho um dever a cumprir...
EL MONTE Y EL RIO
EN mi patria hay un monte. En mi patria hay un rio.
Ven conmigo.
La noche al monte sube. El hambre baja al río.
Ven conmigo.
Quiénes son los que sufren? No sé, pero son míos.
Ven conmigo.
No sé, pero me llaman y me dicen "Sufrimos".
Ven conmigo.
Y me dicen: "Tu pueblo, tu pueblo desdichado, entre el monte y el río,
con hambre y con dolores, no quiere luchar solo, te está esperando, amigo".
Oh tú, la que yo amo, pequeña, grano rojo de trigo, será dura la lucha, la vida será dura, pero vendrás conmigo.
Pablo Neruda
Escrito por Sydnei Melo às 19h05
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Mais um dia bastante exigente se passou. É que a turma de Ciências Sociais 05 está passando por uma turbulência de avaliações, sendo que tivemos uma prova essa semana, e daqiu a alguns minutos estarei começando a fazer mais uma prova, política. Não não... não pensem que é uma provinha feita em sala de aula, não... Essa prova que vou começar hoje ela tem que ser entregue na quinta feira que vem. O problema é sua complexidade (afinal se vc vai fazer essa prova em casa, o professor vai exigir um pouco mais de vcm né?)... Bianchi diz: Por favor, não façam uma prova muito extensa... o limite máximo que eu quero é de SEIS páginas... (pra quem não é de humanas: vc aguentaria?)
Além disso, eu não sei se vou conseguir ficar acordado, ou se vou dormir na biblioteca. Eu ja tenho uma dificuldade natural pra dormir, aí resolvi ir numa festa ontem, no gramado do IA (Instituto de Artes*). Era a festa da FEIA (Festival do Instituto de Artes*), e mesmo eu saindo cedo (pq a festa realmente não estava das mais animadoras), não consegui descansar o suficiente (isso pq sempre que chego de uma festa eu estou com fome, então aproveitei pra comer um pouco tb...). Mas ontem aconteceu um fato muito engraçado...
Na verdade eu fui convencido a ir na festa. Por livre e espontânea pressão, aceitei o convite da Sam e da Olívia (e da Samira, que conheci ontem), e fomos juntos até o IA. Imagine, eu, esse cara patetão, com tres mulheres maravilhosas comigo... Lógico que sempre tinha um estupido idiota pra fazer uma gracinha... um desses ficou falando um monte de galanteios ultrapassados, a 60km/h, e tomou um susto quando me viu no meio delas... deu pra ouvir a exclamação do tipo "ó o cara!!!"... pouco me achei, né? E as garotas gargalhavam...
Bom, me disperso desejando antes um salve, salve ao Berecão, que parte pra mais uma jrnada hj, as 4 da tarde!! O advesário agora é o rapatacho!! Vamo que vamo que a bola tem que rolar (a nosso favor, claro). Alias, deixo uma musica pra vcs se lembrarem sempre, e que nesse fim de semana vcs curtam tudo...
Sábado à noite - Lulu Santos / Cidade Negra
Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite bem no fundo, todo mundo quer zoar todo mundo sonha em ter uma vida boa sábado à noite tudo pode mudar
a semana passou num piscar de olhos eu não vi e o tempo que voa como o vento, não senti minha vida está congelada desde a última vez que lhe vi só me interessa voltar ao ponto de onde eu parti passa segunda, terça e quarta-feira nem aí! e na quinta e na sexta o tempo parece, repetir quando o sol do último dia ameaça se despedir é que o povo põe uma roupa e sai pra se distrair
Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite bem no fundo, todo mundo quer zoar todo mundo sonha em ter uma vida boa sábado à noite tudo pode mudar
Semana que vem tem mais!!! =D
* Pra ficarem espertos quem não é da Unicamp. O que mais se tem aqui é sigla, rsrs
Escrito por Sydnei Melo às 12h16
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mais uma coisa...
Estava lembrando desse texto hoje... Que por sinal, é uma lição de poética original...
POÉTICA
Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor. Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo. Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador Político Raquítico Sifilítico De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo De resto não é lirismo Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbados O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
Manuel Bandeira
Escrito por Sydnei Melo às 10h36
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Devido a problemas tecnicos, peço desculpas aos caros leitores que entraram ontem neste espaço e se depararam com o mesmo texto publicado a dois dias. É um problema que este provedor ainda não conseguiu resolver de pedir renovação de cadastro na hora que vc pede pra blogar, fazendo vc perder todo o texto que tinha escrito. Mas hj deu tudo certo... Bom, finalmente o senhor Marcio Bilharinho Naves voltou a dar sua disciplina de sociologia de Marx, depois de tres semamas bastante corridas (ele apoiou as paralisações contra o veto). Apesar de termos que estender esta disciplina para dezembro, isso só será feito durante a primeira semama. Por tanto, nada ficou mais grave como esparavamos. Que bom... Ontem também voltou ao normal as reuniões do núcleo TABA, e estamos com muitos projetos para esse e o próximo semestre. É uma juventude disposta a reavivar o glorioso e fascinante movimento estudantil, em busca de melhores condições para a educação e por uma sociedade melhor!! Também ontem, terminamos as aulas sobre Vygotsky, psicólogo russo que possui muitos trabalhos interessantes na educação. Falam muito de Piaget, mas depois desse, acho que Piaget é fichinha... ainda temos Alswbel (é assim que se escreve?) pra conhecer... Só lembrando, é uma das disciplinas da licenciatura...
Escrito por Sydnei Melo às 10h34
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Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive.
Ricardo Reis (heteronimo de Fernando Pessoa)
Escrito por Sydnei Melo às 12h06
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epistemologia, sonolencia e Durkheim/Mauss
Incrivel... nunca estive tão cansado em uma aula de epistemologia. E o pior é que eu dormi cedo ontem, umas 11:00hs, e acordei mais tarde que o normal, 7:30. Aí vou pra aula e não consigo ficar com os olhos abertos (e ainda durmi no intervalo, quando normalmente eu vou relaxar a cabeça fazendo fofoca com os queridos graduandos). E aí, o que acontece depois: como sempre, eu acordo!!! fico bem, legalzão, até começar a estudar pra prova de antropologia de amanhã... Normal, normal... Quero ver como vai ser agora a noite na aula de educação.
Falando em prova de antropologia, como tava dificil entender Durkheim!! Vamos lá: Cite exemplos do cotidiano para trabalhar a questão da classificação relacionada a experiência social e cultural... Que dureza, quase cometemos um suicídio anômico*!! Ninguem conseguia responder aquele troço. A gente discutiu muita coisa interessante sobre Durkheim: desarmamento, liberação das drogas, se ia com a resposta pronta ou não, etêcê, etêcê, etêcê...
Me desejem boa prova!! Desejaram? obrigado.
* Pra quem não conhece nada sobre o sociólogo que tentava dar uma de antrpólogo, Émile Durkheim, pode saber um pouco sobre a questão do estudo do suicidio em www.google.com e digitando "durkheim suicidio" (lógico, sem as aspas...) naquele espaço em branco que aparece na tela.
Escrito por Sydnei Melo às 17h27
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Historia...
E se passa mais um fim de semana que ajuda a construir minha historia. Uma tremenda preguiça pra fazer os rascunhos da prova de antropologia, descobri que terei de usar um extra-oral (o comunmente chamado "freio de burro"), assisti Efeito borboleta pela segunda vez hoje (lá na igreja), e agora estou escrevendo todo o meu passado que constroi minha historia, que se junta com a sua historia, e com a historia do outro, e com a historia do acolá... e vai, e vai, e vai, e então ajudamos a construir a historia de toda a humanidade. E quando você terminar de ler isso, caro amigo, já terá feito historia, e quando estiver comentando estará construindo historia. Nós fazemos parte de uma grande e conturbada historia: fazemos parte do impeachment do Collor; do tetra; da morte de Senna; dos atentados de 11/9, 11/3 e 7/7; da guerra do Iraque; da eleição do Lula; e da crise do Lula; dos atentados em Bali; etc, etc, etc... enquanto vivos, somos parte da historia que acontece quando nos é presente; enquanto vivos, somos produto da historia que já aconteceu (e que continua historia); enquanto vivos, delineamos os caminhos da historia; enquanto mortos, ajudamos outros a construir e fazer historia...
E agora, com licença. Tenho uma historia pra continuar construindo...
Escrito por Sydnei Melo às 23h28
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