Fala do velho do Restelo ao astronauta

 

Aqui na terra a fome continua

A miséria e o luto

A miséria e o luto e outra vez a fome

Acendemos cigarros em fogos de napalm

E dizemos amor sem saber o que seja.

Mas fizemos de ti a prova da riqueza,

Ou talvez da pobreza, e da fome outra vez.

E pusemos em ti nem eu sei que desejos

De mais alto que nós, de melhor e mais puro.

No jornal soletramos de olhos tensos

Maravilhas de espaço e de vertigem.

Salgados oceanos que circundam

Ilhas mortas de sede onde não chove.

Mas terra, astronauta, é boa mesa

(E as bombas de napalm são brinquedos)

Onde come brincando só a fome

Só a fome astronauta, só a fome.

 

                                                          José Saramago



Escrito por Sydnei Melo às 12h59
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Eu não sabia muito o que escrever... então deixei a cargo de um amigo...

Hoje não escrevo

     Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.

     Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.

     O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possível contar. Você esperando que os outros vivam para depois comentá-los com a maior cara-de-pau (“com isenção de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego - às vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa aberta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.

     Ah, você participa com palavras? Sua escrita - por hipótese - transforma a cara das coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos, verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Isso de escrever O Capital é uma coisa, derrubar as estruturas, na raça, é outra. E nem sequer você escreveu O Capital. Não é todos os dias que se mete uma idéia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação.

     Claro, você aprovou as valentes ações dos outros, sem se dar ao incômodo de praticá-las. Desaprovou as ações nefandas, e dispensou-se de corrigir-lhe os efeitos. Assim é fácil manter a consciência limpa. Eu queria ver sua consciência faiscando de limpeza é na ação, que costuma sujar os dedos e mais alguma coisa. Ao passo que, em sua protegida pessoa, eles apenas se tisnam quando é hora de mudar a fita no carretel.

     E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado de espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples par de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia... explosiva. Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? Que sentir ou ruminar, se não nos concedem tempo para isso entre dois acontecimentos que desabam como meteoritos sobre a mesa? Nem sequer você pode lamentar-se pela incomodidade profissional. Não é redator de boletim político, não é comentarista internacional, colunista especializado, não precisa esgotar os temas, ver mais longe do que o comum, manter-se afiado como a boa peixeira pernambucana. Você é o marginal ameno, sem responsabilidade na instrução ou orientação do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obrigação de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira. Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. Concluiu que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não corta de verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira, assuntando, assuntando...

     Então hoje não tem crônica.

Carlos Drummond de Andrade



Escrito por Sydnei Melo às 22h31
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enquanto isso, em Sampa...

mais um dia em que o querido movimento estudantil parte pra mais uma luta: tentar derrubar o veto do governado zeroaldo!! Pra ser sincero, eu não faço a mínima idéia do que pode estar acontecendo neste momento!! Sorte aos colegas! Já cansei dessa armação política que atrasa em mais de mês a votação dessa porcaria de veto!! e hoje a tensão é forte! a polícia, a querida e defensora polícia, está prontinha pra jogar suas bombas nas presentes categorias que estarão na ALEPS!

Ah governador, como vc é sacana!!!

Pela educação.

OBS: Essa foi a canção que cantamos a duas semanas atrás, antes de levarmos bombas do choque!!

Apesar de você - Chico Buarque

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.

Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá…….

Escrito por Sydnei Melo às 15h36
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e salve berecão...

Salve, salve o time que chegou pra abalar as estrutura um tanto mofadas e desgastadas do nosso querido instituto de filosofia e ciências humanas... E hj, com muita coragem e raça, o BERECO f. c. teve uma golriosa derrota de 5x4 na estréia contra os ontogênicos!! calma, calma, isso é só o começo!! a nossa esperança não morre jamais!! vamos a vitória!!! rapatacho na próxima sexta!!! ai, esse futebol...
cientistas sociais pernas de pau, uni-vos!

obs: alguem por favor me arruma uma luva de goleiro?

Escrito por Sydnei Melo às 15h29
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hj eu não acordei bem...

Como se bastasse dormir tarde pra caramba (pq Deus me criou com um processo biológico que não me permite facilidade para entrar em estado de dormência), além de ter acordado às 8:30 da manhã (meia hora antes já havia começado a aula de antropologia), tb tive que aguentar uma espécie de rechaço por parte da maioria dos queridos estudantes (que se mostraram realmente ávidos e desejáveis de discussões e paixões de caráter futebolístco), acoplado a minha famigerada falta de clareza na exposição de minha opinião. Poxa, me perdoem, mas que vontade de mandar todo munda a puta que pariu... senti hj o que é ser contra a pressão! credo! e mais interessante ainda é vc não abrir essa discussão com ninguem depois do período de aula... nossa, como fiquei estranho... eu, hein?! quem mandou eu não ser fanático por futebol?

"Posso morrer pelo meu time
Se ele perder, que dor, imenso crime
Posso chorar se ele não ganhar
Mas se ele ganha, não adianta
Não há garganta que não pare de berrar (...)

Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer um gol
Quem não sonhou ser um jogador de futebol?

O meio campo é lugar dos craques
Que vão levando o time inteiro pro ataque
O centroavante, o mais importante
Que emocionante, é uma partida de futebol !"

é tudo o que eu vi...



Escrito por Sydnei Melo às 11h45
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amigos, desculpe a minha demora... na verdade o qe eu mais tenho tido é preguiça, pura preguiça... ai, esse pecado safado... passo pra deixar só um pouco de lembranças, não tenho muita coisa para desenvolver! Estou precisando escrever um pouco mais de poesia... eu lembro dos bos tempos do segundo ano, quando a minha inspiração era algo incomum, hehe... tanta coisa que eu desabafava... hoje me deparo com leituras e mais leituras (interessantes, confesso...), mas estou cometendo o grande equívoco de não mostrar minha imaginação para vcs... me perdoem... assim como quero que me perdoem agora, pq não vou escrever mais hoje.

Cômico?... se isso te fez rir, que bom... melhor coisa é dormir sem estresse... hehe...  que bom fazer os outros rirem... 



Escrito por Sydnei Melo às 19h03
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